Resenhas - DVD e Blu-ray

Resenha: Conan, O Bárbaro (Blu-ray)


Produção: 1982
Duração: 129 min.
Direção: John Milius
Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Sandahl Bergman, Bem Davidson, Garry Lopes, Mako, William Smith, Max von Sydow
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português, Espanhol (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: Fox
Discos: 1 (50GB)
Lançamento: 27/07/2011
Cotações: Som: ***½ Imagem: ***½ Filme: **** Extras & Menus: ***½ Geral: ***½

SINOPSE
Arnold Schwarzenegger faz sua marcante estreia como protagonista nas telas de cinema no papel do legendário guerreiro e herói Conan, O Bárbaro. O sanguinário líder religioso Thulsa Doom (James Earl Jones) e sua corja de brutais seguidores matam os pais de Conan, fazendo com que o órfão tenha que submeter-se a uma infância de impiedosa escravidão, vindo posteriormente a transformar-se em um gladiador para divertir seus senhores. Enviado ao Oriente para aperfeiçoar suas habilidades de luta, Conan é libertado e, em suas viagens, conhece o arqueiro Subotai (Gerry Lopez), o mago Akiro (Mako) e Valéria, a Rainha dos Ladrões (Sandahl Bergman), que será seu grande amor. Com seus companheiros Conan deverá enfrentar o vilão, vingar a morte de seus pais e desvendar o Enigma do Aço.

COMENTÁRIOS
O personagem mais célebre criado pelo escritor Robert E. Howard foi o bárbaro guerreiro Conan, que dos contos publicados em revistas de fantasia passou para os quadrinhos da Marvel e, posteriormente, para o cinema e a TV. Até o momento a melhor adaptação do personagem é este CONAN, O BÁRBARO (CONAN THE BARBARIAN, 1982), produzido por Dino de Laurentiis e dirigido por John Millius. Porém, apesar do sucesso que ajudou a levar Arnold Schwarzenegger ao estrelato, na época o filme não teve uma recepção muito boa junto à crítica, mais acostumada aos filmes de fantasia leves.

Além de dirigir, John Millius colaborou no roteiro, originalmente escrito por Oliver Stone (PLATOON), que continha muitas cenas violentas, e inclusive, um pouco de sexo e nudez. Muito permaneceu no filme, e isso chocou quem esperava uma adaptação mais leve do herói. O lançamento nacional em Blu-ray da primeira das duas aventuras de Conan estreladas por Schwarzenegger (a segunda, CONAN – O DESTRUIDOR, também já foi lançada no exterior em alta definição) é um bom momento para se constatar como o cinema de entretenimento norte-americano degradou-se posteriormente, tornando-se formulaico e privilegiando a ação descerebrada.

Aliás, parece que isso já ocorreu no segundo filme do bárbaro, que após as críticas recebidas pelo primeiro tornou-se mais uma aventura infanto-juvenil, na qual o diretor Millius foi substituído por Richard Fleischer. Mas tomemos um exemplo similar mais recente – O ESCORPIÃO REI, de temática similar com 20 anos separando-o do primeiro CONAN. Mesmo tendo o filme de Millius seus problemas, não há comparação possível: “defeitos” atribuídos à época de seu lançamento podem hoje até ser considerados méritos face à assombrosa pasteurização, falta de imaginação, personagens vazios e infantilização cinematográfica. Isso sem falar na antológica trilha sonora musical do prematuramente falecido Basil Poledouris, que transforma o filme de 1982 em algo maior do que realmente é.

Vamos ver se o novo CONAN, O BÁRBARO, dirigido por Marcus Nispel e estrelado pelo havaiano Jason Momoa (o Khal Drogo de GAME OF THRONES) fará jus às fantasias adultas e sangrentas de Robert E. Howard – apesar de que será difícil desafio a imagem de Schwarzenegger do personagem.

SOBRE O BD
CONAN, O BÁRBARO foi lançado em Blu-ray nos EUA pela Universal, e na Europa e no Brasil pela Fox. Provavelmente nossa edição, tendo em vista as várias opções de áudio e legendas disponíveis (além das que constam na capa), traz o mesmo conteúdo que a europeia; já a norte-americana, como é praxe nos BDs da Universal lá lançados, não possui nada em português.

Remasterizado em alta definição, o filme recebeu uma nova transfer 1080p/AVC MPEG-4, no formato de tela 2.35:1. O que de saída chama a atenção é a ausência dos danos e sujeiras de película que apareciam na antiga versão em DVD. A imagem agora é limpa (apesar de que os mais atentos ainda perceberão uma que outra marca residual), mais clara e, obviamente, possui um nível de resolução e detalhe muito superior. O contraste é bem balanceado, e os pretos são na maior parte do tempo consistentes – já nas cenas noturnas eles deixam um pouco a desejar. As cores são adequadamente saturadas, e apresentam tons naturais. A imagem possui um pouco de granulação de película, e temos ótimos detalhes e texturas nos cenários, figurinos e rostos. O problema é que em algumas cenas a imagem é menos nítida, denotando as deficiências da fonte utilizada – além disso é provável que tenha sido levemente aplicado DNR na transferência, o que piora a condição dessas sequências. Por outro lado, graças aos discretos halos que envolvem os objetos, é perceptível o emprego de edge enhancemente, mas felizmente não é algo que prejudique em excesso a qualidade do vídeo. Apesar desses “pecados” os méritos da transferência são maiores, e creio que, em Blu-ray, dificilmente veremos CONAN, O BÁRBARO com uma melhor apresentação visual do que esta.

Dentre as várias opções de áudio, que incluem a nossa dublagem original em português remasterizada para Dolby Digital 5.1, destaca-se a faixa lossless DTS-HD Master Audio 5.1 em inglês que, dada a idade do material, é bem satisfatória. O áudio original do filme era mono, e a remixagem para 5.1 canais buscou respeitar o sound design dando um senso de espacialidade discreto mas de boa presença. A ação na maior parte do tempo se concentra nos canais frontais, com os surround utilizados para a reprodução de efeitos tímidos e, principalmente, da excelente trilha sonora de Poledouris – sem dúvida a melhor beneficiada nesta remasterização, que nos permite discernir com clareza os instrumentos e vozes do coral. Quanto às legendas, temos uma grande variedade de opções, que incluem português do Brasil e Portugal.

EXTRAS
O BD de CONAN, O BÁRBARO inclui os extras que já estavam disponíveis no antigo DVD, acrescidos de três novos featurettes. Exceto pelos comentários em áudio, tudo recebeu legendas em português.

  • Comentários em Áudio – O diretor John Milius e o astro Arnold Schwarzenegger basicamente narram o que aparece na tela, e por vezes fica claro que o austríaco há muito não via o filme, já que em algumas ocasiões ele afirma não se lembrar de determinadas cenas. Como não recebeu legendas em português, a faixa vale apenas para quem domina o idioma bretão (há opção de legendas em inglês, o que pode facilitar para quem compreende melhor o inglês escrito que o falado);
  • Libertando Conan: O Making Of (SD, 53 min.) – Gravado em 2000, este ótimo making of reúne depoimentos dos principais envolvidos no filme – Millius, Stone,
    Schwarzenegger, Bergman, Dino Di Laurentiis, Max Von Sydow, etc. De especial menção é o fato de que boa parte é dedicada a Basil Poledouris comentando
    aspectos da sua antológica trilha sonora, inclusive a inesperada colaboração de sua filha Zöe (à época, com apenas nove anos) na música para a cena da orgia;
  • A Arte do Aço: Os Ferreiros e Mestres das Espadas (HD, 15 min.) – Novidade nos extras do Blu-ray, este interessante featurette em alta definição é focado na arte da manufatura de espadas e a esgrima. Inclui depoimentos de construtores de espadas e do mestre japonês que treinou Schwarzenegger e, no filme, interpretou o instrutor de Conan;
  • Conan: O Surgimento de Uma Lenda (SD, 18 min.) – Outro bom featurette inédito (porém em resolução standard), no qual especialistas na obra de Robert E. Howard, criadores do gibi de Conan e o ator James Earl Jones falam sobre o escritor e sua maior criação, bem como a passagem do bárbaro por diversas mídias e sua influência no cinema de fantasia. O curioso é que este documentário não consta no BD norte-americano – dessa vez levamos vantagem;
  • Conan: Curiosidades dos Arquivos (HD, 10 min.) – Última novidade nos extras, temos aqui uma seleção de entrevistas gravadas na época da produção do filme, mas que recentemente foram encontradas. Apesar de estar em alta definição, a qualidade da imagem original das entrevistas é medíocre;
  • Efeitos Especiais (SD, 2 min) – Comparação em split-screen da cena em que os espíritos tentam levar Conan, que se recupera dos ferimentos decorrentes de sua crucificação;
  • Os Arquivos de Conan (SD, 12 min) – Galeria de desenhos, arte conceitual e fotos de produção e divulgação, acompanhadas da trilha sonora do filme;
  • Cenas Excluídas (SD, 6 min.) – Coleção de seis cenas que foram cortadas na montagem final. Em uma, o próprio John Millius é um vendedor de “lagarto no espeto”; noutra, Schwarzenegger é mordido no pé e derrubado por um dos cães selvagens do filme;
  • Trailers (SD, 4 min.) – Dois trailers do filme encerram o material suplementar.

Jorge Saldanha

6 comentários em “Resenha: Conan, O Bárbaro (Blu-ray)

  1. johm milius, Basil poledouris, o narrador Mako e schwarzeneger (ou até esse momoa) poderiam ter concretizado no cinema o belissimo script king Conan: Crow of iron.
    Seria o melhor filme do genego um dia já filmado e talvez não houvesse outro pois costumam pegar boas histórias e piorar para por no cinema.

    Esse script John milius aplicaria um pouco de Rei Lear ao Conan, fazendo o em certo momento um decadente, neourotico, barrigudo com ataques de pánico ridiculamente vestido na solitaria sala do trono em Zingara, reino vassalo de Aquilonia. Conan se torna um jogete dos poderosos do reino apice da civilicação a Aquilonia. Esquece seu espirito guerreiro e é corrompido por um sistema que o traiu e o fez abandonar o 2° maior amor de sua vida: seu filho.
    Então sofre um atentado e foge descalço e mortalmente ferido. Cai nas mãos dos barbaros que ele combateu em nome de Aquilonia, os Pictos. Não o reconhecem e ele se identifica com o nome de um guerreiro poeta. Então Conan deve retornar a suas raizes e sua humildade desbotada para reunir forças contra aqueles que o trairam. Pega um machado e vira lenhador derrubando arvores para recuperar sua força, aprende coisas novas, já no trono aprendia a escrever poesias, e pela primeira vez aprende com um forjador picto a fazer sua própria espada. Ele se torna um lider que congrega uma revolta dos pictos contra a poderosa civilização de Aquilonia. Batalhas de exércitos, filosofia e um Conan muito próximo do de Robert Howard porém com alguns incrementos que o tornam mais realistico, mais poético e mais distante de um superheroi.

    Eu me arrepio de pensar na trilha sonora que Basil Poledouris já compunha pra esse filme. Ele só aceitou a participar porque john milius era seu grande camarada e prometera lhe dar tempo e que seria um projeto comprometido com a qualidade artistica.

    Eu duvido que esse filme sequer se aproxime desse nivel de qualidade. Nem mesmo do 1° com alguns poucos defeitos. Não vai ficar na memória como ficou esse de 1982.

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  3. JAKARE

    Concordo com vc em numero gênero e grau……..

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