Resenhas - Filmes

Preview: Super 8


Não é por acaso que os nomes de J.J. Abrams (roteirista e diretor) e Steven Spielberg (produtor) aparecem no cartaz de Super 8 com quase tanto destaque quanto o título do filme. O encontro do Midas da TV dos anos 2000 com o Midas do cinema dos anos 1980 e 1990 é a maior atração de um dos longas mais aguardados da temporada de verão americana, lançado há duas semanas nos Estados Unidos e com previsão de estreia no Brasil para 12 de agosto.

O tradicional gosto de ambos por um bom mistério contribui: com uma campanha de marketing baseada na quase completa falta de informações sobre o filme, os comerciais que irrompem o dia todo na TV americana conseguem a façanha de aguçar a curiosidade sobre Super 8 sem revelar sobre o que ele trata. Sem estragar a surpresa, o máximo que se pode dizer é: um grupo de pré-adolescentes grava um filme de zumbis com uma câmera Super-8 quando um acidente de trem faz com que estranhos eventos tomem conta de uma pacata cidade no interior de Ohio.

Referências e homenagens movem o filme já desde o resumo acima — óbvia menção à famosa declaração de Francis Ford Coppola sobre o futuro do cinema (“Algum dia, uma garotinha gordinha de Ohio vai ser o novo Mozart e fazer um lindo filme com a câmera caseira do pai dela”). No caso de Super 8, o garotinho gordinho de Ohio é Charles (Riley Griffiths), que, inspirado no clássico cinema de terror B de George Romero, reúne os amigos no verão de 1979 com a câmera do pai na mão. É a deixa para uma série de citações spielberguianas baseadas na obsessão do cineasta por levar às telas roteiros em que a inocência infantil é posta à prova pelos acontecimentos (muitas vezes, inexplicáveis) ao seu redor, como em E.T. (1982), Império do Sol (1987), Jurassic Park (1993) e A.I.: Inteligência Artificial (2001). A presença da ameaça invisível na forma de um “monstro” lembra ainda Tubarão (1975), e as referências a alienígenas sugerem Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977) e Guerra dos Mundos (2005).

Se o clima de nostalgia foi o que conquistou parte da crítica americana, alguns traços comuns a outros trabalhos de Abrams comprometem o filme. Como na cultuada série Lost, a mente fértil de Abrams abre um leque tão grande de possibilidades e bifurcações da história que, para fechá-lo, respostas são deixadas de fora, e o desfecho dificilmente corresponde à expectativa criada — característica, aliás, que já havia aparecido até mesmo em obras menos pretensiosas do roteirista e produtor, como o seriado mulherzinha Felicity.

Juntos, Abrams, 45 anos no próximo dia 27, e Spielberg, duas décadas mais velho, apostam em uma história moderna com toques clássicos de suspense e terror para fazer frente aos super-heróis da temporada — esta semana, Super 8 ficou atrás apenas de Lanterna Verde nas bilheterias americanas. Em uma época em que a TV é cada vez mais responsável por trazer à tela inovações criativas e dramáticas e em que o cinema parece mais preocupado em inovações tecnológicas e digitais, é a perspectiva de uma possível volta do cinemão hollywoodiano feito para toda a família o grande trunfo de Super 8.

[via Zero Hora]

2 comentários em “Preview: Super 8

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