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Resenha: Stargate Universe: 2×08 – Malice


[SPOILERS] “I understand revenge. Your people have killed enough of mine. People I cared about. I let you live. You know why? I wanted you to live with it. They way I have. I wanted the pain to eat you alive. I know it’s a fate worse than death. I let you live, but next time I won’t. You want your revenge? You come and get it.”

Bang. E assim, como quem não quer a coisa, “Malice” deixa-nos de queixo caído. Queriam algo mais dark, mais edgy? Pois muito bem, aqui está. Não foi, é claro, um episódio perfeito, havendo ainda ali momentos que nos deixam algo frustrados, como o facto de um suposto comando ter tão má pontaria quando usa uma mira, ou uma estranha manada de dinossauros aparecer do nada para uma cena pouco credível. Mas tirando isso, o que aqui temos é sem dúvida um dos melhores episódios da série até agora e que, esperemos, venha a ter consequências de futuro.

Contratarem Robert Knepper para o papel de um membro da Lucian Alliance deixou-nos logo com a pulga atrás da orelha, desejosos de saber o que o nosso saudoso T-Bag ia fazer. O problema é que, desde então, e tirando algumas cenas que pouco ou nada trouxeram à história, a personagem foi ficando cada vez mais para trás, caindo no esquecimento e passando quase despercebida a quem não o conhecesse de outras andanças. Mas com este episódio, tudo muda. É para primeiro plano que Simeon passa, e as consequências dos seus actos não irão ser esquecidas tão depressa. Ginn (Julie McNiven) e, por consequência da troca de corpos, Amanda (Kathleen Munroe), são as primeiras vítima, numa tentativa clara de impedir a revelação do plano de ataque à Terra da Lucian Alliance, mas não as últimas. Estranhamente sem grandes problemas, Simeon percorre os corredores da Destiny, ataca alguns soldados, rouba armas, munições e bombas e dirige-se para a sala de embarque, fugindo através do Stargate para um dos planetas mais próximos, levando consigo a Dra. Park (Jeniffer Spence) como refém. Não refeitos ainda do choque das mortes até agora, e da mais uma vez completa ineficácia das forças Tau’ri de se defenderem contra inimigos menos poderosos do que eles, mais chocados ficamos com as reacções de Rush (Robert Carlyle).

Que Rush tinha algum afecto por Amanda, já tinha ficado provado, mas ver as emoções que revela ao longo do episódio, especialmente vindas da parte de quem parece geralmente tão distanciado das emoções humanas, foi sem dúvida o ponto alto do episódio. A fúria que o guia pelo Stargate até ao planeta onde Simeon se refugia, a frieza com que salva Park e os restantes elementos da expedição da armadilha montada, a persistência, face a tudo e a todos, para encontrar o inimigo, e a crueza com que lida, no final, com a situação, não hesitado em pôr a vingança pessoal à frente do bem comum e das informações sobre o eminente ataque à Terra, contrastam com o desespero por quem morreu, a culpa que sente por ter sido, se não o responsável, pelo menos um dos factores decisivos para este desfecho trágico. Sem Rush, Amanda não estaria a bordo no corpo de Ginn, não teria morrido tanto na Terra como no espaço. Sem Rush, Amanda poderia nunca mais ter andado, saído do seu corpo tetraplégico, experienciado, mais uma vez, o que é ser humana como os outros… mas pelo menos, estaria viva. E isso irá, sem sombra de dúvidas, pesar na consciência de Rush para sempre.

Um pouco afastados deste brilhantismo, Young (Louis Ferreira) e os restantes tripulantes da nave tiveram, mesmo assim, o seu momento. As reacções de Eli (David Blue), mesmo se compreensíveis, lembraram-nos, mais uma vez, de que este é pouco mais do que um adolescente que tudo perdeu na vida, e que ao ser-lhe retirada a nova companhia, não pode deixar de sofrer. Algo brusco com os outros, e a certo ponto mesmo irritante, a conversa com Young ajudou (a nós e a ele) a pôr as coisas em perspectiva, e ver que não pode fazer o mesmo que Rush, não pode abandonar aqueles que mais dele dependem em busca de vingança. E ainda bem que o fez, pois mesmo se não conseguiu encontrar a solução para o dilema – impedir a Destiny de viajar para outro planeta – pelo menos sempre se acalmou um bocado e permitiu a Chloe (Elyse Levesque) usar os seus super-mega-hyper poderes de alien para controlar a Destiny, numa história a que, parece-me, iremos voltar em breve. Ou, pelo menos, assim se espera. Por último, Scott (Brian J. Smith), que nos últimos tempos tem vindo a afirmar-se como o centro moral desta tripulação, saíndo daquele estereótipo em que se encontrava confinado desde o primeiro momento em cena, teve direito a mais uma boa interacção com Rush, provando novamente que é a voz da razão no meio de todo o caos em que os tripulantes da Destiny se encontram.

E assim, com cenas chocantes e tocantes, com momentos de tensão e outros de introspecção, “Malice” conquista-nos mais uma vez de volta a esta história, de tal forma que até perdoamos, desta feita, algumas cenas, digamos… algo rebuscadas, Será pedir muito que continuem assim? E que tenhamos, quem sabe, a hipótese de ver o tal ataque da Lucian Alliance? Quem sabe, em mais um filme de SG1? Please? Pretty please?!

Syrin
Via [TVDependente]

2 comentários em “Resenha: Stargate Universe: 2×08 – Malice

  1. Este episódio em particular, mostra claramente que a série é sobre RUSH, o nome do seriado poderia até mudar (ja que o Stargate e figura de decoração). É um bom episódio, mas que é totalmente relevado nos capitulos seguintes. A unica coisa que indica que aconteceu, é Greer aparecer ferido no braço (péssima mira do tal comando lucien supertreinado….). Sobre a invasão da Terra ninguém fala nada, o sofrimento de Rush e Eli acabou. O capitulo seguinte se chama Visitationm e é o momento ‘NOSSO LAR’ de SGU, e conforme a resenha do paitulo 7, parece indicar que a série pretende seguir caminhos “matafisicos”, mas para isto será necessário uma equipe mais criativa do que a atual…..

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    • o problema de eles estarem sempre a falar sobre o tal ataque à Terra, é que sabemos que não o irão mostrar, porque isso seria deixar o propósito da série (pessoas perdidas na galáxia) para trás. Eu gostava muito de ver essa história, mas isso seria uma história para SG1, não para SGU.

      Não desgostei do “Visitation”, mas também achei que foi uma história algo deslocada neste ponto da série. Quiseram fechar histórias passadas, tudo bem… mas deviam ter pegado noutras mais interessantes.

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