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Resenha: Stargate Universe 2×06 – Trial and Error


[SPOILERS] “Groundhog Day”: de celebração estranha a comédia de sucesso a fenómeno de culto, o dia que se repete indefinidamente é já uma marca na sociedade americana. De comédias a dramas, de sobrenatural a ficção científica, não há forma de escapar a este fenómeno que se enraizou na televisão. Assim, não é de estranhar que venha marcar presença também em “Stargate Universe“. A questão é: terá sido uma aposta negativa ou positiva?

À primeira vista, ou melhor, às primeiras cenas que se repetem, a única reacção que se ouviu por estas bandas foi “Oh não!”. Sim, o Groundhog Day é uma marca na ficção científica, e sim, já nos proporcionou bons episódios, como o excelente “Window of Opportunity” de “Stargate SG-1” (que, na verdade, até já era uma variação do episódio “Gamekeeper“, mas enfim). No entanto, o facto de se estar a recuperar uma história já explorada neste universo deixa-nos logo de pé atrás, por se tratar de uma repetição – com algumas variações, é certo, mas uma repetição – quando o que se quer é material original. Se juntarmos a isso o ambiente depressivo da Destiny em geral e de Young (Louis Ferreira) em particular, não é de estranhar que comecemos desde logo a olhar para o relógio a ver se faltará muito para a resolução do problema e para passarmos a ambientes mais interessantes. E, no entanto, se conseguirmos ignorar este ponto, a inevitabilidade da resolução do dilema e a certeza de que não, ainda não é desta que a Chloe (Elyse Levesque) desaparece de cena, encontramos alguns pontos bons no episódio. E, mais estranho ainda, é o elemento que mais contribui para isso ser, nada mais nada menos, do que Scott (Brian J. Smith).

Se a história de Scott nos desagradou desde início, fosse pelas suas ligações amorosas em quartos de arrumos ou quartos da Destiny, fosse pela falta de personalidade cativante, é preciso dar a mão à palmatória e admitir que o momento em que Scott recusa tomar o comando da Destiny, como propõe Wray (Ming-Na) e, especialmente, o seu discurso para Young, que força o coronel a pôr de lado as suas depressões e tomar as rédeas da nave, foi o ponto alto do episódio. Sim, os efeitos especiais foram bons; sim, o regresso (mesmo que fictício) dos extraterrestres azuis foi bem feito; sim, ver Young a tomar a decisão difícil mas necessária de entregar Chloe ao inimigo e, mesmo assim, perder a nave, foi interessante. Mas por vezes… por vezes os momentos mais simples são mesmo os melhores, e isso constatou-se aqui novamente. Não será por esta cena apenas que Scott deixará de ser o “menino bonito/cabeça oca” da nave, mas a verdade é que se se apostar em desenvolver mais a personagem, haverá aqui material com que trabalhar. Convém é esquecer toda aquela história de ele ter estado a estudar para padre e do filho e das alucinações e tal…

Mas porque nem só este singelo discurso conseguiu impressionar, outros momentos houve que nos fizeram reflectir – e ambos estão ligados ao elemento mais misterioso de toda esta história: a Destiny. O “Groundhog Day” que afinal não o era, revela-se nada mais nada menos do que uma forma da Destiny confirmar se Young é a pessoa ideal para liderar os tripulantes ou não. Temos então aqui mais uma prova de que a Destiny é muito mais do que uma simples nave, de que provavelmente estará “consciente”, e que está a influenciar os humanos que nela habitam, podendo então assim estar explicadas as conversas que Rush (Robert Carlyle) tem com a falecida mulher e o cientista que desapareceu. O problema que se levanta, no entanto, é este: porque é que ninguém se interroga sobre aquilo que estão a experienciar? Será que o facto de a Destiny estar activamente a influenciar as memórias e comportamentos dos tripulantes não é suficientemente assustador para obrigar estas pessoas a tentarem compreender melhor a situação em que se encontram? Porque é que passado tanto tempo continuam a não explorar melhor a Destiny? E, claro está, porque é que ninguém se atreve a interrogar Rush sobre as suas “misteriosas ausências” cada vez que algo corre mal?! É que já começa a ser um bocado exagerada a forma como todas estas questões permanecem em aberto… e se, como vimos no final do episódio, todo este “teste de liderança” da Destiny foi resolvido em três tempos pelo Rush, não significa isso que já está mais do que na hora de dedicar os episódios a esta questão, deixando de lado os “casos da semana”?

Porque no melhor pano cai a nódoa, infelizmente as restantes histórias do episódio não estiveram à altura do discurso de Scott e da revelação do papel da Destiny nesta história. O início de uma relação entre Eli (David Blue) e Ginn (Julie McKniven) da Lucien Alliance não convenceu, não só porque era mais do que óbvio, visto que um “herói” – mesmo um nerd – não pode ficar sem a sua “donzela”, mas também porque a forma como Greer (Jamil Walker Smith) agiu foi totalmente contra aquilo que dele conhecemos desde início. Muito mais interessante do que isto seria se tudo não passasse de um plano da Lucien Alliance… já vimos que Ginn é capaz de matar os seus superiores quando a isso é obrigada, e sempre se evitava o cliché que aqui se está a formar… Quanto a TJ (Alaina Huffman), embora pouco tenha tido que fazer no episódio, deixou logo má impressão com o seu discurso sobre o bebé “estar vivo num sítio melhor” e blah blah blah… Mas até quando será que vamos ter de voltar a esta questão? Já não chega terem-nos feito sofrer com a história da gravidez/aborto, mas agora ainda vão estar a bater na mesma tecla em todos os episódios? Ugh… Já dizia o outro: “não havia nexexidade…”

Syrin
Via [TVDependente]

3 comentários em “Resenha: Stargate Universe 2×06 – Trial and Error

  1. Caros moderadores do portal Sci Fi Brasil,
    como já tinha pedido ao Daniel, agradeço que não alterem os meus textos quando os colocarem aqui. Eu sei que o site é brasileiro, mas parece-me que as diferenças entre o português europeu e brasileiro não são assim tantas que seja preciso alterar os textos originais. É uma questão de princípio para mim: se foi escrito de uma forma, deveria ficar sempre dessa forma, porque as alterações – mesmo pequenas – desvirtuam o original.

    Obrigado.

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  2. SGU tem conseguido encotrar o seu caminho, esses últimos episódios tem preparado o caminho para série finalmente entregar aquilo que tinha prometido, pelo menos em parte!n Agora tenho voltado a me empolgar com SGU, só espero que não seja tarde de mais para a série….

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