Resenha: DUNA (Blu-ray)


Produção: 1984
Duração: 137 min.
Direção: David Lynch
Elenco: Kyle MacLachlan, Sean Young, Sting, Jurgen Prochnow, Francesca Annis, Max Von Sydow, Patrick Stewart, Dean Stockwell, Virginia Madsen, Jose Ferrer, Kenneth McMillan, Linda Hunt
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Francês (DTS 2.0)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: NBO
Discos: 1
Lançamento: 19/10/2010
Cotações: Som: **** Imagem: ***½ Filme: *** Extras & Menus: ***½ Geral: ***½

SINOPSE
O Imperador Shaddam Corrino IV (Jose Ferrer) retirou a Dinastia Harkonnen da administração do planeta Arrakis, substituindo-a pela Dinastia Atreides. O desértico Arrakis é o lar dos gigantescos Vermes da Areia e a única fonte conhecida da Especiaria, substância que prolonga a vida, expande a consciência e permite a realização de viagens interestelares através da habilidade dos Navegadores de dobrar o espaço. A Liga dos Navegadores, preocupada com a possibilidade de a nova administração prejudicar a produção da Especiaria, procura o Imperador, que informa que na verdade tudo não passa de um plano para que os Harkonnen destruam os Atreides, que graças à sua popularidade e a invenção de uma nova arma sônica ameaçam seu poder. Mas a Liga exige que o Imperador mate o filho do Duque Leto Atreides (Jurgen Prochnow), Paul (Kyle MacLachlan). Leto é casado com Lady Jessica (Francesca Annis), da Irmandade Bene Gesserit, que por gerações tenta criar um Super Humano, e a Liga teme que Paul seja resultado do projeto. A Dinastia Atreides assume o controle da mineração de Arrakis, mas o deformado Barão Harkonnen (Kenneth McMillan), com a ajuda dos sobrinhos corruptos Rabban (Paul Smith) e Feyd (Sting), ataca o palácio e retoma o controle. Paul e Jessica fogem para o deserto e unem-se aos habitantes de Arrakis, os Fremen, que por séculos aguardam a chegada do Prometido – aquele que lhes trará a verdadeira liberdade.

COMENTÁRIOS
DUNA, do escritor Frank Herbert, é um incontestável clássico da moderna ficção científica. O livro foi lançado em 1965, e tentativas de levá-lo ao cinema começaram a partir de 1971. Durante toda a década nomes como Arthur P. Jacobs, Alejandro Jodorowsky, Dan O’Bannon e Ridley Scott envolveram-se no projeto, considerado por muitos infilmável devido à trama longa e complexa – algo semelhante ao que aconteceu por muito tempo com a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, de Tolkien. Finalmente, em 1981 o produtor Dino De Lauretiis dispensou Scott, que queria (sabiamente) fazer dois filmes, e contratou David Lynch, que apesar de nunca ter lido o livro e não ter interesse em ficção científica, topou em não apenas ser o diretor, mas também a escrever o roteiro. Com um orçamento alto para a época – 40 milhões de dólares – DUNA foi filmado no México com um gabaritado elenco norte-americano e europeu.

Lançado em 1984 após grande expectativa, o filme foi massacrado pela crítica e tornou-se um fracasso de bilheteria, tendo faturado menos da metade do que foi gasto em sua produção. Hoje, ao rever DUNA, é fácil perceber porque ele foi tão criticado. Talvez em razão de uma conturbada produção, na qual Lynch afirmou ter havido excessiva interferência dos executivos, o longa alterna momentos brilhantes com outros frustrantes, muitas vezes parecendo ser uma mera sinopse da obra de Herbert. Para tentar preencher os vazios da trama e explicá-la aos espectadores, há um excesso de narração e seguidamente ouvimos os pensamentos dos personagens, o que acaba tirando a expectativa do que está para acontecer. O ótimo elenco (no qual se inclui Patrick Stewart, futuro Capitão Picard e Professor Xavier) dá o melhor de si, mas muitas vezes a caracterização ridícula ou grotesca de alguns personagens, originada no gosto de Lynch pelo bizarro, acaba prejudicando seus esforços. Apesar do grande orçamento e do ótimo trabalho com miniaturas, alguns efeitos visuais, especialmente os que empregaram técnicas de combinação de imagens e de controle de movimentos, mesmo para a época já deixavam a desejar. Por fim a trilha sonora instrumental da banda Toto, misturando pop com orquestra, muitas vezes soa deslocada (se salva o ótimo tema principal de Brian Eno, majestoso e à altura da épica aventura).

De qualquer forma o criativo desenho de produção retro-futurista, as criaturas do especialista Carlo Rambaldi (ALIEN, E.T.), o belo figurino e um ótimo trabalho de pinturas de fundo ajudam a criar algumas imagens realmente memoráveis. Hoje DUNA é considerado uma curiosidade, talvez a maior das excentricidades da filmografia de David Lynch. Apesar de ser unanimemente considerado uma adaptação fraca, o filme é cultuado inclusive por muitos fãs da saga de Herbert. Que, por sinal, prossegue com sua sina, já que posteriormente foi adaptada em duas minisséries do Sci Fi Channel. Se por um lado, graças à maior duração, elas puderam ser mais fiéis aos livros que as inspiraram (DUNA e OS FILHOS DE DUNA), também sofreram com as precariedades típicas das produções do canal. Uma nova esperança é a versão que está sendo desenvolvida pelo diretor Pierre Morel (BUSCA IMPLACÁVEL) e o roteirista Chase Palmer, que já anunciaram que serão os mais fiéis possíveis ao material original. Desejemos a eles boa sorte, já que vão precisar, e muito, dela.

SOBRE O BD
Há pelo menos três versões diferentes de DUNA – a original de cinema com 137 minutos e duas estendidas com 177 e 190 minutos, respectivamente. Nestas últimas (sendo que uma delas chegou a sair no Brasil em DVD, com imagem fullscreen) o diretor não teve qualquer envolvimento, tendo inclusive pedido para que seu nome fosse retirado dos créditos. A versão presente neste lançamento da NBO, que se baseia no Blu-ray lançado há alguns meses nos EUA pela Universal, é a de cinema. E mais uma vez a pequena distribuidora, que está realizando uma série de lançamentos de BDs tidos como “de banca”, realizou um trabalho digno, preservando as características técnicas do filme e trazendo todos os extras do lançamento norte-americano. Os menus em português são animados e funcionais, apesar de manterem a necessidade de que, para fechar os submenus, seja necessário clicar em um pequeno “x”, ao invés de apenas mover as teclas direcionais.

O filme está em uma transferência anamórfica 1080p/VC-1 com proporção de tela 2.35:1, que agradará à maioria dos que já viram o filme, cuja maior força sem dúvida está no seu visual. Cenários, paisagens, figurinos, miniaturas, tudo é mostrado com riqueza de detalhes – infelizmente até mesmo a repugnante maquiagem do Barão Harkonnen. Apesar de boa parte de sua duração ser dominada pelas cores sépia e amareladas dos desertos de Arrakis, o filme possui uma paleta vívida e atraente, com tons de pele corretos. Infelizmente o alto nível de detalhes proporcionado pela transfer realça a precariedade de várias tomadas de efeitos visuais (os recortes das figuras de atores e naves, sobrepostos aos planos de fundo, parecem ter sido feitos a tesoura). Além disso a regular presença de pequenos danos de película realça a idade do filme e a falta de uma adequada restauração com base nos elementos originais, o que acaba por reduzir a nota da avaliação. Porém descontado isso e alguns instantes onde o nível de detalhes é menor, trata-se de uma transferência livre de filtragens digitais e artefatos, que reproduz com a maior fidelidade possível a fonte disponível.

Causou-me surpresa a qualidade da faixa de áudio original em inglês DTS HD 5.1 Master Audio, que para um filme de 26 anos é simplesmente impressionante. Ocasionalmente a fidelidade torna-se prejudicada, provavelmente em razão das técnicas de captação de som ultrapassadas; porém o áudio lossless é potente, trazendo graves fortes e efeitos surround bem distribuídos. Claro, aqui sempre devemos levar em consideração o sound design da época, que trazia mixagens mais tímidas. Mas ouvindo a ambientação criada em cenas do deserto ou durante os combates, os diálogos sempre claros e até mesmo a fiel reprodução da trilha musical, chego à conclusão de que temos aqui uma faixa de áudio em alta definição que, se não pode ser considerada de referência, é superior às de muitos filmes mais recentes. A única outra opção de dublagem disponível é francês DTS-HD 2.0, com legendas em português, inglês e espanhol.

EXTRAS
Mais uma vez a NBO faz um trabalho digno em relação aos extras, trazendo para seu lançamento todo o material suplementar do BD de DUNA lançado nos EUA no final de abril de 2010, pela Universal. Os extras não são muitos e estão em resolução 480i (SD), mas pelo menos foram todos legendados em português.

  • Cenas Deletadas (17 min.) – Temos 11 cenas eliminadas com qualidade de imagem medíocre, repleta de danos de película. Na introdução a produtora Raffaella De Lauretiis desmente a “lenda” de que haveria uma versão do filme com quatro horas de duração. O detalhe é que nenhuma destas cenas consta nas versões estendidas do filme, tratando-se, portanto, de genuíno material não utilizado;
  • Desenhando Duna (9 min.) – Integrantes da equipe discutem o refinado desenho de produção de DUNA. O featurette é ilustrado por interessantes artes conceituais e fotos de objetos de cena;
  • Efeitos Especiais (6 min.) – Integrantes da equipe de efeitos especiais nos mostram raras cenas de bastidores de filmagens de explosões, de maquetes e do robô lutador;
  • Modelos (7 min.) – Este featurette trata dos elaborados modelos, das filmagens com controle de movimento, vermes, etc.;
  • Figurinos (5 min.) – Aqui os figurinistas nos informam, entre outras coisas, que os uniformes da Liga dos Navegadores eram feitos de sacos utilizados para acondicionar cadáveres em necrotérios, e o detalhe: usados. Para evitar problemas, os atores e figurantes que os vestiram nunca souberam deste “pequeno detalhe”. É dado especial destaque ao traje de sobrevivência dos Fremen, além de serem mostrados designs que nunca foram utilizados.

Jorge Saldanha

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12 Comments

  1. Não vi nem esse filme nem a minissérie de alguns anos atrás. Li todos os livros da série Duna, principalmente o primeiro livro, que li três ou quatro vezes e estou olhando ele neste momento, dignamente surrado de tanto manuseio.

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  2. Vi o filme e vi a minisérie. A mini é superior ao filme, porque explica melhor os acontecimentos. O filme condensa em 2 horas (ou tenta), os 5 livros. O resultado é um roteiro confuso, e um filme pouco empolgante. Os atores também não ajudam muito…….

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