Resenhas - DVD e Blu-ray Séries

Resenha: Fringe – Primeira Temporada (DVD)


Produção: 2008
Duração: 1028 min.
Direção: Vários
Elenco: Anna Torv, Joshua Jackson, John Noble, Lance Reddick, Kirk Acevedo, Jasika Nicole, Blair Brown, Michael Cerveris, Mark Valley, Jacqueline Beaulieu
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Áudio: Inglês (Dolby Digital 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português, Inglês, Francês, Espanhol, Tailandês
Região: 4
Distribuidora: Warner
Discos: 7
Lançamento: 12/10/2009
Cotações: Som: ***½ Imagem: ***½ Filme: ***½ Extras & Menus: **** Geral: ***½

SINOPSE
Após a morte de seu colega e namorado John Scott (Mark Valley) devido a um envenenamento de origem desconhecida, a agente especial do FBI Olivia Dunham (Anna Torv) é designada para a unidade especial “Fringe”, com o propósito de investigar o súbito aumento de casos envolvendo fenômenos como telepatia, teletransporte, parasitas bizarros e doenças incomuns. Na sua equipe ela terá o auxílio do Dr. Walter Bishop (John Noble), um gênio excêntrico que passou os últimos 17 anos em um hospital para doentes mentais. O filho de Walter, Peter (Joshua Jackson), também um gênio a seu modo, porém malandro e sardônico, tem de entrar para a equipe mesmo contra a sua vontade, já que ele é a única pessoa capaz de assumir a guarda legal de seu pai e retirá-lo do sanatório.

COMENTÁRIOS
A série FRINGE estreou na Fox norte-americana em 2008 já com a morte anunciada de LOST, deixando o público ansioso por uma nova série de J.J. Abrams repleta de mistérios. Após a exibição do piloto de nível cinematográfico, com suas duas horas de suspense centradas em um incidente grotesco com a tripulação e os passageiros de um avião comercial, não restaram dúvidas – vinha muito mistério por aí, porém mais na linha de ARQUIVO X do que de LOST. Contando na produção com Abrams e seus colaboradores habituais Alex Kurtzman e Roberto Orci (roteiristas de STAR TREK), em sua primeira temporada FRINGE não se esforçou muito para esconder a inspiração na série de Chris Carter. Desde a abertura, com o nome de fenômenos paranormais acompanhados na tela por um inspirado tema musical do próprio Abrams, passando pelos episódios “monstro da semana”, pela mitologia que inclui metamorfos, a tensão sexual existente entre o casal de protagonistas e até mesmo pelas cenas de ARQUIVO X que vemos, em determinado episódio, sendo exibidas em uma TV, o programa com frequência transita por aquela zona nebulosa que fica entre a homenagem e a imitação.

No que se refere à dinâmica e inter-relacionamento dos personagens, qualquer um que já tenha assistido a alguma série ou filme de Abrams sabe da importância que tem suas relações privadas e familiares nas tramas. Aqui, primeiramente, temos como mola propulsora a perda amorosa de Olivia, e logo em seguida a introdução do conturbado relacionamento pai-filho entre Walter e Peter. Posteriormente temos a introdução da irmã e sobrinha de Olívia, mas sem dúvida são os momentos que envolvem o patriarca da família Bishop que atraem nossa maior atenção. Walter, numa personificação magnífica de John Noble (da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS), é um personagem adorável, que com seu jeitão de cientista louco, por vezes ingênuo como uma criança, tenta reconquistar o carinho do filho em meio às suas excentricidades. Mas, além disso, ele esconde um passado sombrio.

O arco de fundo de FRINGE é estabelecido já de início, e por várias vezes remete às pesquisas que Walter realizava antes de seu colapso mental. A equipe acaba descobrindo uma ligação entre vários fenômenos incomuns, o que leva à constatação de que alguém está por trás de uma série de experimentos científicos avançados, num procedimento batizado de “O Padrão”. Ao longo da temporada Dunham e seus colegas trabalham diligentemente para descobrir o propósito de tais experimentos, e quem seria seu responsável. As pistas frequentemente os levam à poderosa multinacional Massive Dynamic, por coincidência presidida pelo ex-colaborador de Walter, William Bell (Leonard Nimoy, o eterno Sr. Spock de JORNADA NAS ESTRELAS). A certa altura da temporada somos apresentados ao conceito dos universos paralelos, e a partir daí FRINGE passa a ser também uma ficção científica hardcore. Adicionando mais mistério à trama somos apresentados aos Observadores, sujeitos carecas vestidos em ternos escuros estilo anos 1960, que surgem em diversos períodos do tempo para testemunhar acontecimentos relevantes – e não raro catastróficos. O excelente gancho de final da temporada mostra Olivia finalmente encontrando William Bell nas Torres Gêmeas de Nova York – não, você não leu errado…

Como seria de se esperar em um produto da grife J.J. Abrams/Bad Robot, FRINGE possui excelentes valores de produção, e algo raro para uma série de TV aberta – mostra em detalhes sangue e mutilações, como pessoas e cérebros se dissolvendo e corpos sendo partidos pela metade. Sem dúvida, essa representação do horror e da violência em um meio high tech é um dos fatores que ajuda a distanciar a série de outras imitações de ARQUIVO X. Mas para mim, continua sendo a busca pela paternidade perdida a mola propulsora da série, responsável que é por seus melhores momentos e que terá seu clímax na segunda – e superior – segunda temporada, já exibida também aqui pela Warner. Não há duvida de que FRINGE, cuja terceira temporada estreia nos EUA no final de setembro, é hoje uma das melhores opções da ficção científica televisiva, e que vem mostrando méritos próprios e suficientes para que deixe de ser taxada como uma mera cópia de ARQUIVO X. Além disso, a série traz a beleza serena da australiana Anna Torv, infelizmente considerada canastrona por parte da crítica. É, vivemos em um mundo injusto…

SOBRE O BD
O box nacional da primeira temporada de FRINGE em DVD é idêntico ao norte-americano nas especificações técnicas (exceto pelo nosso ser Região 4) e em conteúdo, mas não na embalagem. Aqui ela contém os sete discos trazendo os 20 episódios da temporada e os extras em dois estojos amaray – um quádruplo e um triplo, envoltos em uma luva de cartolina. Curiosamente, na embalagem a série recebeu o título de FRINGE – A GRANDE CONSPIRAÇÃO (como é exibida na Warner), mas nos episódios ele foi traduzido como FRONTEIRAS (como é exibida no SBT). No quesito imagem as transferências widescreen anamórficas na proporção 1.78:1 apresentam uma reprodução muito boa das cores, e o nível de detalhe é mais do que satisfatório para DVD. Porém, após nos acostumarmos ao padrão do Blu-ray, não há como deixar de notar as limitações do formato, como os artefatos digitais de compressão. Ainda assim é facilmente perceptível o alto padrão da apresentação visual, que certamente seria melhor exibida na versão em Blu-ray, que infelizmente não foi disponibilizada no Brasil.

Quanto ao som, os episódios trazem sólidas faixas Dolby Digital 5.1 que valorizam os diálogos (e há muitos) e que empregam os canais surround de forma eficaz mesmo nas cenas mais ambientais, como aquelas passadas no espaçoso laboratório de Walter. Nas sequências de ação, como seria de esperar, eles se tornam mais ativos. Há também uma dublagem em português 2.0 e legendas em português, inglês, espanhol, francês e tailandês. Os menus, estáticos, estão em português (apesar de, nas capturas, estarem em inglês).

EXTRAS
A primeira temporada de FRINGE em DVD traz uma boa quantidade de extras, sendo que os vídeos, em formato anamórfico e com áudio em inglês 2.0, estão legendados. Já os comentários de áudio, como sempre, foram esquecidos.

  • Comentários em áudio – Temos faixas de comentários em três episódios, com destaque para a do episódio piloto. Nela, Alex Kurtzman, Robert Orci e o próprio J.J. Abrams discutem as inspirações da série, técnicas para atrair a audiência, efeitos visuais, música, elenco, etc. É a melhor de todas, e se você entende algo de inglês, ela merece sua atenção. Já em “The Ghost Network” temos a participação de outros membros da equipe de Abrams – J.R. Orci, David Goodman e Bryan Burk -, e por fim “Bad Dreams” traz Akiva Goldsman e Jeff Pinker; 
  • Fringe: Decifrando a Cena (34 min.) – Cada episódio possui um featurette curto (de dois a três minutos) focado em aspectos como maquiagem, criaturas, mortes, efeitos em CGI, transformações, armas, experiências, personagens, etc. São, basicamente, clipes promocionais, mas bem interessantes, que nos colocam nos bastidores da produção; 
  • Arquivos Dissecados (10 min.) – Alguns episódios apresentam cenas eliminadas ou estendidas, algumas delas bem pertinentes mas que infelizmente, por causa da duração padrão de cada episódio (por volta de 50 minutos) tiveram de ser descartadas ou encurtadas; 
  • Uma Árdua Tarefa (21 min.) – Coleção de featurettes distribuída por alguns dos discos, que também aborda diversos aspectos da produção: efeitos especiais, construção de cenários e desafios na filmagem de alguns dos episódios, e por aí vai; 
  • Featurettes de Produção (44 min.) – Quatro pequenos documentários que contém spoilers e, por isso, devem ser vistos somente após o episódio final. São eles “Evolução: O Gênesis de Fringe”, “Atrás da Real Ciência de Fringe”, “Efeitos Visuais” e “O Elenco de Fringe” – este com cenas dos testes originais dos atores; 
  • Diário de Produção de Roberto Orci (13 min.) – São vídeo diários do animado co-criador da série Roberto Orci, que conduz os espectadores por várias locações da primeira temporada; 
  • Efeitos Colaterais Incomuns (5 min.) – Pequena coleção de erros de gravação, que divertem o elenco e, às vezes, o espectador; 
  • Gene a Vaca (3 min.) – Featurette sobre a vaca-mascote de Walter, que descobrimos ter sido “interpretada” por cinco bovinos diferentes.

Jorge Saldanha

2 comentários em “Resenha: Fringe – Primeira Temporada (DVD)

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