Filmes Resenhas - DVD e Blu-ray

Resenha: Avatar (Blu-ray)


Título Original: Avatar
Produção: 2009
Duração: 167 min.
Direção: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Joel Moore, Giovanni Ribisi, Michelle Rodriguez, Laz Alonso, Wes Studi
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio:Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português, Espanhol (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B
Distribuidora: Fox
Discos: 1
Lançamento: 22/04/2010
Cotações: Som: ***** Imagem: ***** Filme: **** Extras & Menus: *½ Geral: ****

SINOPSE
No ano de 2154 o ex-fuzileiro paraplégico Jake Sully (Sam Worthington) viaja para a selvagem lua de Pandora, onde uma equipe terrestre estuda o ecossistema local e, principalmente, busca por um valiosíssimo minério que só existe por lá. Usando um Avatar – o corpo geneticamente criado de um nativo Na’vi para o qual sua mente é transferida – Jake integra-se a uma aldeia daquele povo de gigantes azuis para aprender seus costumes e, mais do que isso: fornecer as informações que a equipe precisa para, com apoio militar, retirar os Na’vis do local, que abriga uma rica jazida mineral. Mas Jake apaixona-se pela guerreira Neytiri (Zoe Saldana), aprende a admirar o modo de vida totalmente integrado à natureza do seu povo e acaba liderando a resistência aos terrestres exploradores.

COMENTÁRIOS
Como se vê do resumo acima de AVATAR (2009), o primeiro filme que James Cameron dirige desde o retumbante TITANIC (1997), não temos nada de novo no front – seja em narrativa dramática, seja em conteúdo sci fi. Já vimos muitas vezes variações desta trama – o branco que passa a viver entre indígenas e acaba tomando o partido deles no confronto com seus irmãos “civilizados”. Inclua nela referências à intervenção norte-americana no Iraque, aos próprios filmes anteriores do diretor (em especial ao tema recorrente da ganância e estupidez humanas como causa potencial ou efetiva de grandes tragédias), o uso de um corpo físico ou virtual para substituir o corpo real, tudo trabalhado com uma tecnologia cinematográfica que rompe barreiras, e temos um filme com muitos momentos visualmente sublimes e impressionantes (principalmente quando assistidos em 3D ou IMAX), outros que beiram a breguice… e heróis que parecem uma cruza de Smurf com Thundercat.

Essa mistura, nas mãos de um mero diretor de blockbusters, poderia provocar indigestão no espectador; mas a mente criativa por trás de tudo isto é Cameron, um especialista em produzir narrativas de qualidade – ainda que convencionais – e que, cada uma a seu modo, revelam ser revolucionárias. Filme concebido há mais de uma década e realizado apenas quando a tecnologia necessária finalmente tornou-se disponível, AVATAR leva a captura de movimentos a um patamar inédito: podemos REALMENTE ver a interpretação de atores como Worthington, Saldana e Weaver nos gestos e, principalmente, nas expressões faciais de seus alteregos azuis criados em computador.

Também nos computadores foi criado um ecossistema completo, com fauna e flora literalmente de outro mundo, trazido à vida com um nível de detalhes e sofisticação estética de cair o queixo. Mesmo com toda a impressionante parafernália técnica, alguns poderão torcer o nariz para a história ecológica altamente previsível (porém creio que necessária, num momento em que os dirigentes mundiais não tem consenso em questões ambientais), os diálogos clichês, alguns furos de roteiro e o romance açucarado do casal de protagonistas. Mas a verdade é que Cameron a cada filme prova ser um mestre em combinar a adrenalina e o esmero técnico do seu entretenimento com qualidade e emoção.

O público mundial correspondeu além das expectativas, tornando AVATAR o filme mais rentável da história, ultrapassando a marca dos 2 bilhões de dólares. Com tudo isso, e apesar de não ter levado os Oscars de Melhor Diretor ou de Melhor Filme (mas conquistando os Globos de Ouro equivalentes, entre outros prêmios), Cameron mostrou que hoje, no mundo do Cinema, ele ainda é o Rei do Mundo – e da lua Pandora.

SOBRE O BD
Poucos lançamentos em home vídeo de um blockbuster foram tão aguardados quanto AVATAR. O grande público ansiava por reviver em suas casas, consideradas as devidas limitações, o deslumbramento experimentado nas salas de cinema. A boa notícia é que, apesar de o filme estar sendo lançado agora em DVD e Blu-ray apenas em sua versão convencional 2D, especialmente em alta definição ele é espetacular. Já a má é que tanto em DVD e Blu-ray os discos não trazem material adicional.

A ausência de extras foi justificada por James Cameron e o produtor Jon Landau basicamente pela exigência do público para que a versão doméstica do filme chegasse agora, e a impossibilidade de que os suplementos (incluindo aproximadamente 30 minutos de cenas adicionais) fossem finalizados a tempo deste lançamento. Consequentemente todos os esforços foram direcionados a apresentar o filme com a máxima qualidade de vídeo e áudio – ou seja, em elevados bitrates. Apesar de as explicações terem sua lógica, o fato é que hoje já existem extras que poderiam ser de imediato incluídos neste primeiro lançamento, e para que não fosse necessário comprometer a qualidade de som e imagem eles poderiam ser disponibilizados em um segundo disco, como corriqueiramente acontece tanto em DVD e Blu-ray. Mas isso, claro, aumentaria os custos de produção, sendo mais barato disponibilizar alguma coisa via internet…

O curioso nisso tudo é que é tanta a confiança dos realizadores e da própria Fox no sucesso de vendas desta versão simples do filme, que eles anunciaram antecipadamente o lançamento, em novembro, de uma versão especial com quatro discos que trarão todos os extras que os colecionadores tanto ambicionam – o que não impediu de que esta edição simples de AVATAR batesse, com folga, todos os recordes em vendagem do Blu-ray. Mas enfim, razões técnicas ou de marketing à parte, recomendo fortemente que, mesmo que você não compre AVATAR agora, esperando pela versão mais completa (e sem esquecer que em 2011 deverá sair outra edição, finalmente em 3D), pelo menos o alugue. Razões há de sobra, como explicarei a seguir.

Primeiramente, quanto ao vídeo: AVATAR foi integralmente rodado na proporção de tela 1.78:1 (16×9, que é a proporção exata das atuais TVs widescreen), e é neste formato que ele foi exibido nas salas IMAX e 3D e agora está sendo lançado em Blu-ray. Nos cinemas convencionais ele foi exibido na proporção 2.35:1, porém mediante conversão – cortes acima e abaixo da imagem. Ou seja, ao contrário do que você possa inicialmente imaginar, na versão que você verá em casa não há perdas de imagem, mas sim ganho. Toda a informação visual imaginada por Cameron estará lá, e para definir a qualidade da imagem do filme em Blu-ray, basta uma palavra: impressionante. Não tenho dúvidas de que, entre todos os BDs que assisti até hoje, este é de longe o de melhor apresentação, um verdadeiro disco de referência. Como prometido pelos produtores, todos os 50 GB de espaço do BD de dupla camada foram utilizados, e a transferência 1080p/AVC MPEG-4, rodando em bitrate médio de 30kbps (às vezes até passando dos 40kbps) é soberba, com nível zero de ruídos ou artefatos de compressão. O que de imediato salta aos olhos é a extraordinária claridade, muito superior à das cópias em 3D, o que juntamente com o elevadíssimo nível de detalhes nos permite discernir todas as texturas dos objetos / personagens reais ou CGI – rostos, vestimentas, plumagens, vegetação, tudo nos é apresentado com detalhes impressionantes. Como seria de esperar, as cores são deslumbrantes, fortes e brilhantes, com destaque para os roxos fosforescentes, o azul da pele dos Na’vis e, de um modo geral, os multicoloridos exemplares da flora e fauna de Pandora. Mesmo os cinzas dos equipamentos militares humanos refulgem, se sobressaem. Os níveis de preto são profundos, sólidos, e o elevado contraste ajuda a dar uma profundidade tal à imagem que por vezes ela parece tridimensional – e com a vantagem de não precisarmos usar óculos.

Se o vídeo de AVATAR é indiscutivelmente de referência, seu áudio não fica atrás. A faixa original lossless DTS-HD Master Audio 5.1 é agressiva quando deve ser, e ambientalmente imersiva nos momentos adequados. Nas cenas de batalha, além de sermos agredidos por graves sólidos e poderosos, capazes de fazer tremer o ambiente caseiro, somos cercados via surround por ruídos de disparos, flechas voando, árvores caindo, etc. Nos momentos mais calmos e ambientados na floresta, ouvimos à nossa volta os sons de sua diversificada fauna. É como se a selva de Pandora estivesse viva e respirando à nossa volta. A qualidade dos sons é cristalina, os diálogos sempre soam límpidos e a trilha Sonora de James Horner chega até nós com muita fidelidade na mixagem perfeitamente balanceada. Obviamente com qualidade inferior, temos dublagens lossy Dolby Digital 5.1 em português e espanhol. As legendas HD em português e espanhol são amarelas, e na tradução das falas Na’vi mantém o mesmo padrão de fonte das legendas originais em inglês do filme. Os menus animados (em inglês) são simples mas bonitos, ilustrados com imagens do filme e disponibilizando opções básicas de navegação. E quando você dá uma pausa no filme, o menu pop-up mostra o título e a imagem que ilustra o capítulo correspondente.

EXTRAS
Antes do lançamento de AVATAR em home video, sabidamente sem extras, chegou a se comentar que o BD pelo menos teria o recurso BD-Live para acessar conteúdo adicional na web. Pois bem, nem isso aconteceu. O que há, tanto no BD quanto no DVD, é um código a ser registrado no site www.avatarfilme.com.br, que daria acesso a links para algum material suplementar. Infelizmente por algum problema técnico não pude me registrar com o código fornecido, o máximo que consegui foi receber uma mensagem de erro em meu monitor.

Jorge Saldanha

11 comentários em “Resenha: Avatar (Blu-ray)

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  3. Bela resenha, Jorge!!! Vi no cinema, mas vou aguardar sair o DVD com 4 discos em novembro e já tô ansioso por “Avatar 2” (será que a nossa “Ripley” volta? rsrsrsrsrs).

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    • Valeu Gustavo. Acho que vão dar um jeitinho da “Ripley” voltar sim, afinal ela está na “consciência da árvore” rs

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