star-trek-trailer

Mais de quatro décadas após o lançamento da Série Clássica de JORNADA NAS ESTRELAS, a franquia da Paramount, verdadeiro patrimônio da cultura pop, parecia morta e enterrada. Restritas a um nicho de público, as mais recentes produções para TV e cinema, capitaneadas por Rick Berman e sua turma, não agradavam nem mesmo aos mais fanáticos trekkers. Isso até que em 2006, com o relançamento das aventuras da nave Enterprise em alta definição, foi anunciado o início da produção de um novo filme a cargo de J.J. Abrams.

Abrams, criador de algumas das séries de TV mais interessantes deste novo século (ALIAS, LOST, FRINGE) e assumidamente um fã de ficção científica, parecia a escolha certa para esta missão aparentemente impossível (coincidentemente, o primeiro filme que dirigiu foi MISSÃO IMPOSSÍVEL III, também para a Paramount). Isso porque a idéia era fazer um filme que extrapolasse o atual nicho de JORNADA NAS ESTRELAS e colocasse a franquia no patamar dos grandes blockbusters do verão americano. A julgar pela ótima bilheteria, pelo menos comercialmente Abrams teve sucesso. Quanto ao filme em si, pelo menos para mim, que acompanho a série desde os anos 1960, achei ótimo.

Depois do atribulado e caro JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME (1979), nenhum dos outros nove longas tiveram um tratamento de superprodução. Mas isto mudou neste novo STAR TREK (título simplesmente em inglês, sem tradução em nenhum lugar do mundo), que recebeu um generoso orçamento de U$ 150 milhões que vemos estampado na tela – seja nos excelentes efeitos visuais da ILM, seja nos elaborados cenários e paisagens deslumbrantes. O desenho de produção buscou manter elementos tradicionais da Série Clássica (como o design da nave e dos uniformes), porém “atualizados” com uma estética retrô. Indiscutivelmente, um filme bonito.

Em STAR TREK Abrams contou com o auxílio de alguns dos seus colaboradores habituais para ajudá-lo na empreitada, como os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman (MI III, TRANSFORMERS) e o compositor Michael Giacchino, e com eles decidiu retornar às aventuras do Capitão Kirk e da tripulação da nave estelar Enterprise da Série Clássica – as que são mais conhecidas pelos não-trekkers. Mas para não ficar preso aos eventos já mostrados na série e nos filmes, a solução foi reimaginar o universo de JORNADA NAS ESTRELAS, através de um reboot no estilo do que foi feito recentemente nas franquias Batman e 007. O detalhe é que o reboot de Abrams possui um pé firmemente plantado no passado.

O roteiro de Orci e Kurtzman lança mão de um recurso batido na série, as viagens no tempo (mais especificamente uma volta ao passado). Contudo dessa vez, e sem maior complicação para os “leigos”, ele cria uma linha de tempo alternativa onde serão desenroladas as novas aventuras da Enterprise. Usando este recurso esperto, a dupla garantiu a permanência dos eventos da cronologia original, ao mesmo tempo em que abriu espaço para que a partir de agora as viagens da Enterprise, mais uma vez, sejam novas e imprevisíveis. E isso começa já neste filme, onde muitos fatos estabelecidos no cânone tradicional de JORNADA NAS ESTRELAS vão (literalmente) para o espaço. Se isto lhe parece um sacrilégio, pelo menos tenha um grande consolo – neste novo universo, o Capitão Kirk certamente não terá aquela morte ridícula vista em GENERATIONS.

Dando vida a (em sua maioria) velhos personagens com outros rostos, o elenco mescla atores jovens e veteranos com variados níveis de experiência, e talvez os mais conhecidos do público brasileiro sejam Zachary Quinto – Spock (o Sylar de HEROES), Karl Urban – McCoy (o Éomer de O SENHOR DOS ANÉIS, para mim simplesmente perfeito no papel) e Eric Bana – Nero (MUNIQUE). Porém além deles também Chris Pine – Kirk, Zoe Saldana – Uhura, Simon Pegg – Scotty, Anton Yelchin – Chekov e John Cho – Sulu, dentro do que exigia o roteiro, defenderam com dignidade seus papéis. O destaque talvez seja mesmo Chris Pine, que teve a espinhosa missão de assumir o papel eternizado por William Shatner.

Mas não esqueçamos Bruce Greenwood como o primeiro Capitão da Enterprise, Christopher Pike, e das pequenas mas relevantes participações de Winona Ryder e Ben Cross como os pais de Spock, e de Jennifer Morrisson (a Cameron de HOUSE) como a mãe de Kirk. E por último mas não menos importante: Leonard Nimoy, como o próprio Sr. Spock da Série Clássica, tem função vital na trama. Pena que um dos elementos mais fracos da história seja exatamente o vilão Nero, desenvolvido de uma forma que não permitiu a Bana dar maior dimensão ao personagem.

Avaliando pelo trailer, STAR TREK poderia ser considerado pelos fãs tradicionais como mais um filme de ação para consumo rápido, com ênfase nos efeitos visuais. Mas fora a excelência técnica das batalhas espaciais (que nem são tantas assim), é um filme que honra o legado da criação de Gene Roddenberry, mantendo as bases do que sempre foi a essência da Série Clássica – o relacionamento entre seus personagens, notadamente Kirk, Spock e McCoy. É claro que o longa não é perfeito, o roteiro possui lacunas e adota algumas soluções apressadas e simplistas para tocar a história mais rapidamente – está aí um filme que certamente será beneficiado no futuro por uma versão do diretor ou estendida. Além disso, haverá quem não goste dos “coletores bussard” azuis da Enterprise, ou sua engenharia “analógica” que parece uma fábrica de cerveja (e é mesmo, já que Abrams usou como cenário uma velha planta da Budweiser)…

Mas no final o saldo é pra lá de positivo, e quando vemos a Enterprise partir tendo ao fundo a narração de Nimoy e o tema original de Alexander Courage (muito bem empregado por Giacchino), fica aberto o caminho para que JORNADA NAS ESTRELAS ou agora apenas STAR TREK tenha, mais uma vez, uma Vida Longa e Próspera. Inclusive aqui no Brasil, apesar da péssima divulgação feita pela Paramount.

Jorge Saldanha

19 comentários em “Resenha: Star Trek

  1. Pingback: Novidades no Elenco de Thor « Sci Fi do Brasil

  2. Pingback: Resenha: Distrito 9 « Sci Fi do Brasil

  3. Pingback: Veja a ponta de R2-D2 em Star Trek « Sci Fi do Brasil

  4. Pingback: Produtores indicam Star Trek, Avatar e Distrito 9 como Melhores Filmes de 2009 « Sci Fi do Brasil

  5. Pingback: Os Indicados ao Oscar 2010 « Sci Fi do Brasil

  6. Pingback: Os 30 anos do lançamento de Jornada nas Estrelas – O Filme no Brasil « Sci Fi do Brasil

  7. Pingback: Karl Urban fala de Priest e Star Trek 2 « Sci Fi do Brasil

  8. Pingback: Refilmagem de A Hora do Espanto já tem atriz principal « Sci Fi do Brasil

  9. Pingback: Excelente chamada do canal Telecine para Star Trek « Sci Fi do Brasil

  10. Pingback: Ridley e Tony Scott produzem Ion « Sci Fi do Brasil

  11. Pingback: Karl Urban fala sobre Judge Dredd « Sci Fi do Brasil

  12. Pingback: Avatar: Anti-Americano e Ateísta? « Sci Fi do Brasil

  13. Pingback: Resenha: Super 8 | SCI FI do Brasil

  14. Pingback: Jornada nas Estrelas: A Revolução dos Anos 1960 | SCI FI do Brasil

  15. Pingback: Resenha de Filme: STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA | SCI FI do Brasil – O Portal da Ficção Científica em Português

  16. Pingback: J.J. Abrams confirma: vem aí STAR TREK 4 – SCI FI do Brasil – O Portal da Ficção Científica em Português

  17. Pingback: Vem aí novas Séries de STAR TREK | SCI FI do Brasil - O Portal da Ficção Científica em Português

  18. Pingback: Bomba: STAR TREK 4 perde 2 astros e pode ser cancelado | SCI FI do Brasil - O Portal da Ficção Científica em Português

  19. Pingback: Sci Files: STAR WARS – O DESPERTAR (SONOLENTO) DA FORÇA | SCI FI do Brasil - O Portal da Ficção Científica em Português

Comente o conteúdo da postagem

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: