Resenhas - DVD e Blu-ray Séries

Resenha: Jornada nas Estrelas: A Série Clássica Remasterizada – Primeira Temporada (DVD)


stDVD1Direção: Vários
Elenco: William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, Nichelle Nichols, James Doohan, George Takei
Distribuidora: Paramount
Duração: 1.458 min.
Região: 4
Lançamento: 27/04/2009
Nº de discos: 8
CotaçõesSom: **** Imagem: ****½ Filme: ***** Extras & Menus: ****½ Geral: ****½

SINOPSE
É o ano de 2264 – 201 anos depois que o homem viajou mais rápido que a velocidade da luz e 113 anos depois da primeira viagem da Enterprise NX-01. No decorrer dos primeiros três anos, o Capitão James T. Kirk e a tripulação da USS Enterprise NCC-1701 encontrarão enganadores e vigaristas, assassinos, psicopatas e seres poderosos o suficiente para controlar a mente de comunidades inteiras. Os membros da Enterprise serão amados, ameaçados, seduzidos, assassinados, convidados para procriação, duplicados, ressuscitados e forçados a retroceder no tempo. Eles serão obrigados a lutar por suas vidas e pelas vidas de seus amigos. E ao longo desses desafios, uma aliança vai nascer entre três improváveis amigos: o ousado e carismático Capitão Kirk (William Shatner), o irascível Doutor McCoy (DeForest Kelley) e o imperturbável Vulcano Senhor Spock (Leonard Nimoy). A viagem vai começar…

COMENTÁRIOS
“Espaço, a Fronteira Final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de 5 anos…” Por três temporadas a partir de 1966, a narração de William Shatner introduzia as aventuras semanais da nave da Federação dos Planetas Unidos Enterprise, na série concebida por Gene Roddenberry que, de lá para cá, deu origem a onze filmes para o cinema – o mais recente, dirigido por J.J. Abrams e que mostra o início das aventuras da tripulação comandada por James Kirk, estréia dia 8 de maio – e mais quatro séries de TV derivadas (sem contar a SÉRIE ANIMADA). Apesar de nunca ter sido considerada um sucesso na época de sua exibição, e mesmo com orçamentos baixos, JORNADA NAS ESTRELAS foi um marco para a televisão, um verdadeiro clássico que, mesmo depois de seu cancelamento, através das reprises, continuou conquistando uma legião de fãs ao redor do mundo e influenciando outras produções do gênero.

No Brasil JORNADA NAS ESTRELAS: A SÉRIE CLÁSSICA foi a mais exibida e, dentre todas as produções da franquia, continua sendo a mais popular. Revendo agora a primeira temporada remasterizada em alta definição e com novos efeitos CGI, as razões de tal perenidade são evidentes: em que pese o baixo orçamento dos episódios, refletido em cenários, figurinos e maquiagens de segunda, a série extrai sua força basicamente da empatia e sintonia do trio de personagens principais, e de ótimos roteiros criados por escritores como David Gerrold, Harlan Ellison e Dorothy (D. C.) Fontana. Dando uma rápida passada nos 28 episódios iniciais da série, encontramos não algumas, mas várias pérolas: entre elas “O Ardil Carbomite”, “A Coleção” (o único episódio em duas partes da série, no qual foi aproveitado praticamente todo o primeiro episódio piloto, “The Cage”, estrelado por Jeffrey Hunter e nunca exibido na íntegra), “O Equilíbrio do Terror” (surgem os Romulanos!), “Semente do Espaço” (Khan!) e aquele que é considerado o melhor episódio da série, o ganhador do Prêmio Hugo “A Cidade à Beira da Eternidade” (nos EUA da época da Depressão Kirk apaixona-se por uma pacifista e, ao salvá-la da morte, muda o futuro da Terra). Além da série abordar, sob o manto da ficção científica, assuntos que eram raros na TV à época de sua produção, como a política o intervencionista, a liberação feminina e o racismo, ela também trouxe um conceito original e otimista para o futuro, que ainda hoje possui um grande apelo.

Sendo a franquia mais rentável da Paramount, e em que pesem os resultados irregulares das últimas produções para TV e cinema, seria natural que o estúdio voltasse a nela investir. O primeiro passo foi, em comemoração aos 40 anos da SÉRIE CLÁSSICA, o lançamento do projeto de remasterização em alta definição das aventuras do Capitão Kirk e sua tripulação, nele incluída a substituição dos efeitos visuais originais por novos, feitos em computação gráfica. As quatro décadas de idade do material haviam deixado marcas nas tomadas de efeitos, onde notam-se sujeiras, arranhões e recortes, em muitos casos inerentes aos negativos originais, e se esse problema já era claramente perceptível em resolução standard, em alta definição ele revelou ser simplesmente catastrófico. Muitos fãs criticaram a Paramount, acusando-a de fazer na série o mesmo que George Lucas fez com a trilogia original de STAR WARS, no entanto vejo aqui um diferencial básico de abordagem: as cenas refeitas buscaram respeitar a planificação, tempo (tanto que a duração de cada episódio permaneceu a mesma) e, muitas vezes, até o mesmo ângulo de câmera (porém não mais estática) das originais. Em cenas combinando efeitos e cenas com atores, até mesmo a granulação da película original foi simulada. Enfim, a preocupação foi corrigir os defeitos de realização e melhorar as sequências, do modo menos intrusivo possível e sem alterar o sentido da trama. Como resultado a Enterprise, outra naves (algumas que eram apenas citadas na versão original agora aparecem na tela), os planetas e paisagens estão muito mais detalhados, animados e bonitos.

Provavelmente, com o lançamento do novo filme, muitos jovens espectadores casuais terão sua atenção atraída para a franquia e, se gostarem do que virem, terão interesse em experimentar suas origens. E para eles, este verdadeiro banho de loja que a Paramount deu na SÉRIE CLÁSSICA é mais do que recomendado.

DVD
Dos títulos da franquia, JORNADA NAS ESTRELAS: A SÉRIE CLÁSSICA foi o que teve mais lançamentos em home video. Até 2006, nos EUA, ela foi lançada duas vezes em DVD – no início do formato em DVDs avulsos, cada um contendo dois episódios usando as mesmas masters das fitas VHS e LDs, e posteriormente nos boxes de temporadas completas remasterizadas, também lançadas aqui. Esta primeira temporada remasterizada em alta definição, após ser exibida em syndication nos EUA, fora lançada no finado formato HD-DVD e agora, no final de abril de 2009, ela está saindo em DVD aqui e nos EUA (que também terá a versão em Blu-ray, que já inclui legendas em português do Brasil) neste box com oito discos, aproveitando a chegada do novo filme aos cinemas em maio. Os DVDs recebidos da Paramount para avaliação são check-discs, ou seja, não possuem arte final e nem estão acondicionados na caixa (que, avaliando pelas fotos, marcará o retorno das embalagens digistak nos lançamentos da distribuidora – parabéns!). Mas o importante é que, em termos de especificações técnicas e conteúdo, eles são idênticos aos que serão colocados à venda e, sob qualquer aspecto, é um produto merecedor de elogios.

Colocando de lado a discussão de que a “pureza” da série possa ter sido comprometida pelas melhorias, destaca-se em primeiro lugar a qualidade da imagem obtida pela remasterização – que dessa vez também incluiu reparação e limpeza digital de danos e sujeiras nos negativos originais. A imagem dos episódios, em seu fullscreen 1.33:1 nativo, está fantástica, com cores brilhantes e um nível de detalhes muito superior ao dos boxes anteriores, que já possuíam uma ótima qualidade para um material com 40 anos. De fato, esta é a melhor remasterização de uma série clássica que já vi – e olhe que os recentes lançamentos da Fox de O TÚNEL DO TEMPO e VIAGEM AO FUNDO DO MAR (infelizmente inéditos no Brasil) já foram exemplares. Apesar de alguns episódios se destacarem visualmente, de modo geral artefatos digitais inexistem e as novas cenas de efeitos estão perfeitamente integradas ao restante do material. O que mais se nota, de tempos em tempos, é a granulação inerente à película, mas isso apenas demonstra que a distribuidora não optou pelo caminho fácil do uso de filtros como DNR. Com excelente contraste e pretos fortes, esta sem dúvida é a melhor imagem em DVD que a SÉRIE CLÁSSICA já apresentou, que na alta definição do Blu-ray deve ser ainda mais deslumbrante. Vale a pena referir que a edição em Blu-ray, apesar de ter um disco a menos, inclui tanto a versão com novos efeitos como a versão original dos episódios.

No que se refere à remasterização do áudio original em inglês Dolby Digital 5.1 (no Blu-ray, DTS-HD Master Audio 7.1), os resultados foram igualmente relevantes. Do mesmo modo que as aberturas dos episódios foram refeitas em CGI, a música tema também foi regravada obedecendo nota por nota as orquestrações originais. Deste modo, você ouvirá o memorável tema de Alexander Courage com uma fidelidade inédita. O restante da trilha sonora não foi regravado, mesmo assim a mixagem é muito boa, com a música não soando tão metálica, como geralmente acontece nas faixas antigas retrabalhadas, e os efeitos surround, quando necessários, são bem empregados. Em que pese notarmos a tendência do som concentrar-se nos canais frontais, há uma boa e frequente separação dos canais. Também estão disponíveis dublagens em espanhol e português (ambas em Dolby 2.0 mono). A dublagem em português disponível é a feita pela VTI-Rio, com melhor qualidade que a ouvida na televisão. Lamentavelmente a dublagem original dos anos 1960, da AIC-SP, foi destruída num incêndio e apenas parte dela existe no acervo em VHS de fãs. De qualquer forma, devido à sua qualidade amplamente superior, recomendo que a série seja assistida com áudio em inglês 5.1 e legendas em português (também há a opção de legendas em inglês e espanhol).

EXTRAS
Este novo lançamento da primeira temporada de JORNADA NAS ESTRELAS: A SÉRIE CLÁSSICA traz uma considerável quantidade de material suplementar, todo legendado em português, e que em sua maioria, com vídeo fullscreen ou letterbox e áudio em inglês 2.0, já integrava o box anterior. No entanto foram agregados alguns extras alusivos aos 40 anos da franquia, ao mesmo tempo em que ficaram de fora os easter eggs (se permaneceram, não os encontrei), comentários em texto de alguns episódios e galeria de fotos.

  • Transportando Jornada nas Estrelas para o Século 21 (20:05 min.) – Featurette que mostra o cuidadoso processo de remasterização e restauração digital dos episódios originais, incluindo a criação dos novos efeitos visuais e a regravação das versões originais do tema de abertura;
  • A Vida Depois de Jornada nas Estrelas: William Shatner (10:28 min.) – Durante praticamente todo o tempo,  ouvimos o eterno Capitão Kirk, William Shatner, falar sobre sua paixão por cavalos;
  • Reflexões sobre Spock (12:13 min.) – Um bate papo sincero e bem humorado com Leonard Nimoy sobre o personagem que o celebrizou;
  • Conexões Trekker (03:57) – Neste vídeo temos uma espécie de jogo, onde é proposto ao espectador que descubra o que conecta dois membros do elenco (fixo ou convidado). Após alguns segundos, as respostas surgem na tela;
  • Visionários da Ficção Científica (16:39 min.) – Featurette focado na equipe de roteiristas da série, que por ser em boa parte composta por escritores de FC, criou tramas cientificamente plausíveis e sérias. D. C. Fontana, John D.F. Black e Robert Justman dão seus depoimentos;
  • O Tesouro de Billy Blackburn: Filmes Caseiros Raros e Lembranças Especiais (13:21 min.) – Billy Blackburn fez pontas em alguns episódios da série como o Tenente Hadley. No entanto ele foi principalmente um “faz-tudo”, já que também era figurante e servia como stand-in de DeForest Kelley, além de ter vestido as fantasias de algumas criaturas, como o reptiliano Gorn. Neste featurette Billy divide com os espectadores suas lembranças da série, e mostra alguns dos seus filmes caseiros de 8mm, rodados nas filmagerns em locação;
  • Beijar e Falar: O Amor no Século 23 (08:34 min.) – O elenco principal (sobrevivente) relembra os romances de seus personagens. Curioso é o depoimento de George Takei (Senhor Sulu), que recentemente assumiu sua homossexualidade e que neste vídeo de 2003 afirmou ter ficado surpreso ao descobrir, assistindo ao filme GENERATIONS (do qual não participa), que seu personagem tivera uma filha;
  • Jornada Nas Estrelas: Além da Fronteira Final (90 min.) – Este documentário do The History Channell, apresentado por Leonard Nimoy e exibido em 2006, faz uma retrospectiva dos 40 anos da franquia, tendo como fio condutor um leilão de itens originais utilizados nas séries de TV e nos filmes;
  • O Nascimento de um Legado Histórico (24:14 min.) – Documentário sobre a criação da SÉRIE CLÁSSICA, enfatizando a produção dos pilotos “The Cage” e “Onde Nenhum Homem Jamais Esteve”. Entre os depoimentos, os de Robert H. Justman e de Gene Roddenberry, este em entrevista de 1988;
  • Audaciosamente Indo… Ano Um (19 min.) – Retrospectiva da primeira temporada, contendo informações sobre a produção, depoimentos da equipe e citações aos melhores episódios.

MENUS
Os menus são animados, porém diferentes dos boxes anteriores. Felizmente não são estáticos, como os dos boxes das séries derivadas lançados no Brasil.

Jorge Saldanha

2 comentários em “Resenha: Jornada nas Estrelas: A Série Clássica Remasterizada – Primeira Temporada (DVD)

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