Resenha: STAR TREK: FIRST CONTACT – Jerry Goldsmith (Trilha Sonora Completa)

Música composta e regida por Jerry Goldsmith, música adicional de Joel Goldsmith
Selo: GNP Crescendo Records
Catálogo: GNPD 8079
Lançamento: 03/04/2012
Cotação: ****

O prematuro falecimento do compositor Joel Goldsmith, filho do lendário Jerry Goldsmith (1929-2004), recentemente enlutou o mundo das trilhas sonoras. Além de ter uma consistente carreira própria, em especial na televisão, Joel colaborou com o pai em alguns trabalhos, como a trilha eletrônica de Runaway – Fora de Controle, onde foi o programador dos sintetizadores. Aliás, é sabido que Joel foi o responsável por mostrar ao pai as possibilidades da música eletrônica, sendo que Jerry terminou por incorporar os sintetizadores como uma seção complementar da orquestra. Mas entre as parcerias entre pai e filho a mais famosa é este score de Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato, que finalmente recebeu uma edição completa oficial (e limitada em 10.000 cópias), lançada no último mês de abril – menos de um mês antes da morte de Joel.

O filme, o melhor da Nova Geração de Jornada nas Estrelas, possui uma trama que envolve os melhores vilões da série, os Borgs, e um acontecimento histórico na mitologia da franquia: o primeiro vôo em dobra espacial de Zefram Cochrane (James Cromwell), que levou ao primeiro contato da humanidade com uma raça alienígena – os Vulcanos. Um dos acertos do diretor Jonathan Frakes foi lutar com os executivos para trazer de volta Jerry Goldsmith como compositor da trilha original, a fim de que o filme efetivamente soasse como uma grande produção cinematográfica, e não como  um mero episódio longo da série. Mesmo sobrecarregado com outro trabalho o compositor aceitou o convite, desde que seu filho Joel pudesse ajudá-lo nas composições e orquestrações.

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Resenha: PROMETHEUS – Marc Streitenfeld (Trilha Sonora)

Música composta por Marc Streitenfeld
Selo: Sony Masterworks
Catálogo: 197834
Lançamento: 05/06/2012
Cotação: ****

Normalmente não gosto de comentar uma trilha sonora antes de ouvi-la em seu respectivo filme, já que ela, em princípio, foi criada para acompanhar as imagens que vemos na tela e sua audição em separado pode gerar uma avaliação desconexa com as intenções do compositor e até mesmo do realizador. O melhor de dois mundos são aqueles scores que cumprem bem sua missão de dar o adequado suporte ao filme e, ao mesmo tempo, em álbum revelam ser uma audição atraente – algo, hoje em dia, raro de acontecer. De qualquer maneira, com o hype e a excelente campanha de marketing que antecede o lançamento de Prometheus, que marca o retorno do diretor Ridley Scott ao universo sci fi por ele introduzido no antológico Alien – O Oitavo Passageiro (1979), me vi tentado a não só ouvir, mas também a comentar a trilha sonora que será lançada em CD daqui a algumas semanas (por volta da mesma época do filme), mas que já está disponível para download no iTunes.

Como quem está lendo esta resenha deve saber, o filme de 1979 recebeu um estimado score de Jerry Goldsmith que, em virtude de diferenças criativas entre o compositor e o diretor, na montagem final foi recortado e, em determinadas sequências, até mesmo substituído por peças eruditas ou por trechos de um antigo score de Goldsmith, Freud. Como ainda não assisti a Prometheus não posso afirmar que isso não se repetiu, mas o fato é que Scott adora mexer com as partituras que os compositores lhe entregam. Em Cruzada, substituiu trechos da música original de Harry Gregson-Williams por trilhas de outros filmes (ironicamente até por uma composição de Goldsmith), e no caso presente temos o “reforço” ao score de Marc Streitenfeld de duas faixas de… Harry Gregson-Williams. Mas independentemente do que possamos ouvir (ou não) no filme, achei promissor este trabalho do alemão Streitenfeld, que de integrante da equipe de Hans Zimmer alçou carreira solo e tornou-se o colaborador habitual de Scott em seus últimos filmes.

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Resenha: THE AVENGERS – Alan Silvestri (Trilha Sonora)

Música composta e regida por Alan Silvestri,
Selo: Hollywood/Intrada
Catálogo: D001759402
Lançamento: 01/05/2012
Cotação: **½

Os Vingadores, um dos fortes candidatos a maior blockbuster de 2012, já chegou e pelo jeito atendeu (e até superou) as altas expectativas da maioria dos fãs da equipe de super-heróis da Marvel. Após seus filmes solo, o diretor e roterista Joss Whedon conseguiu reunir de forma competente e divertida Capitão América, Homem de Ferro, Thor e Hulk para enfrentar Loki e seu exército alienígena.

O acompanhamento musical da aventura ficou a cargo do tarimbado Alan Silvestri, que para Capitão América – O Primeiro Vingador, compôs uma das melhores (senão a melhor) trilhas sonoras do lote. Assim, a expectativa também era grande quanto à partitura musical que Silvestri criaria para Os Vingadores, e nesse aspecto não há, infelizmente, como ficar muito empolgado com o que ouvimos no score recém lançado em CD.

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Mini-Resenha: DOCTOR WHO – SERIES 6 – Murray Gold (Trilha Sonora)


Música composta por Murray Gold

Selo: Silva Screen Records
Catálogo: SILCD1375
Lançamento: 19/12/2011
Cotação: ***½

Sempre fui adepto da tese de que grande quantidade de uma coisa boa nem sempre é o ideal, especialmente no mundo do entretenimento. Com Doctor Who, parte da grandeza que Murray Gold exibe durante as trilhas sonoras da sexta temporada fica diminuída pela inacreditável longa duração que este álbum duplo da Silva, com 66 faixas, oferece. O que é mais frustante é que este lançamento tinha o potencial de ser, talvez, a melhor antologia musical da série até o momento, mas torna-se arrastado por incluir underscores do programa que poderiam ter sido deixados de fora. Tivéssemos apenas um disco trazendo os pontos altos dessa temporada, então eu teria sido conquistado por sua magia. Como está, a energia se esvai no segundo CD, e para que os fãs tenham uma experiência especial terão de fazer sua própria compilação. Enfim, uma oportunidade perdida. Mas dito isso – as últimas seis faixas que ouvimos neste álbum são simplesmente belíssimas.

Duração: 141:57

Tom Hoover
[via ScoreTrack.net]

Resenha: THE MUSIC OF JOHN WILLIAMS – THE DEFINITIVE COLLECTION – John Williams (Trilhas Sonoras)

Música composta por John Williams
Selo: Silva Screen Records
Catálogo: SILED1382
Lançamento: 21/02/2012
Cotação: *****

John Williams é de longe o compositor de cinema mais barroco desde sempre, seus scores são cheios de cordas majestosas, harmonias ornamentadas, melodias empolgantes, e é por essas razões que ele, ao longo de sua carreira, foi procurado para musicar filmes de grande orçamento. Ademais, seu trabalho exige alguma imaginação e requer uma espécie de argumento grandioso, do contrário poderíamos ter um filme de suspense sobre os demônios de um assassino em série acompanhado por uma trilha sonora à la Star Wars.

Sem surpresa, caso o Sr. Williams tivesse nascido em uma época onde monarcas, imperadores e rainhas escolhessem músicos para a sua diversão, seu estilo exuberante certamente o levaria a coordenar aqueles grandes bailes ou a reger música para a monarquia em grandes teatros, o que nos leva a esta coleção “definitiva”: ela enaltece seus temas celestiais, como os de Star Wars: Revenge Of The Sith e “Olympic Fanfare and Theme”.

“Indiana Jones and The Last Crusade End Credits” por exemplo, é uma faixa enriquecida pelo motivo de reis e rainhas, que traz o calor da grandeza e da importância destacado pela modulação. Estranhamente, a melhor composição do álbum é “Double Trouble” de Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban, que junta um magnetismo magnífico a uma ligeira apreensão infantil.

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Resenha: UNDERWORLD: AWAKENING (SCORE) – Paul Haslinger (Trilha Sonora)

Música composta por Paul Haslinger
Selo: Lakeshore Records
Catálogo: LKS 342512
Lançamento: 14/02/2012
Cotação: ****

O austríaco baseado em Los Angeles Paul Haslinger tem sido um compositor de trilhas sonoras bem versátil. Ele tende a empregar muitas dinâmicas diferentes em seus scores, e acima de tudo mistura elementos clássicos com eletrônicos.

Particularmente na trilha sonora de Anjos da Noite 4: O Despertar ( Underworld: Awakening), ele apossou-se da trama e começou a criar temas para cada parte importante e crucial do filme. O álbum inicia com “The Purge”, assim como a história, e segue com ela. Explorando a trama ainda mais, vemos que ela incorpora alguns elementos similares à franquia Resident Evil, tais como experimentos com uma jovem e bela mulher, uma poderosa corporação e a consciência de uma ameaça, já que agora os humanos sabem da existência de Vampiros e Lycans.

Dito isso, é interessante notar como as dinâmicas mudam tanto em uma mesma faixa: ela pode começar de um modo agitado e extenuante, mas terminar misteriosamente fraca ou incrivelmente débil, com em “I’ve Never Seen A Child Like This”. Como desespero, incerteza, luta pela sobrevivência e ação são as palavras que comandam o argumento, Paul Haslinger as acompanha correta e precisamente como a cultura alemã, genericamente falando, tende a fazer.

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Resenha: The Thing (1982) – Ennio Morricone (Trilha Sonora)

Música composta por Ennio Morricone, produzida e arranjada por Alan Howarth e Larry Hopkins
Selo: Buysoundtrax
Catálogo: BSXCD 8895
Lançamento: 05/10/2011
Cotação: ****½

Ontem eu e um amigo conversávamos sobre aqueles filmes que revíamos, no mínimo, uma vez por ano. Uma coisa que constatamos é que praticamente todos os que estavam em nossas listas de preferidos possuíam trilhas sonoras memoráveis – sem dúvida um dos fatores que nos levou a gostar tanto deles em primeiro lugar. E um dos filmes que ambos assistimos regularmente é O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), refilmagem do diretor John Carpenter de O Monstro do Ártico (The Thing From Another World, 1951), de Howard Hawks. O filme de Carpenter não fez sucesso na época de seu lançamento, porém nos anos subsequentes conquistou uma legião de admiradores a partir de suas exibições na TV e lançamentos em home video. Hoje ele é com justiça considerado muito superior ao original, e um clássico moderno do sci fi horror.

Em The Thing pela primeira vez John Carpenter utilizou outro compositor para se encarregar da trilha sonora, e o escolhido foi o lendário Ennio Morricone, a quem o diretor admirava principalmente por seus memoráveis scores para os spaghetti-westerns de Sergio Leone. Como Carpenter e Morricone falavam apenas seus idiomas nativos, a comunicação entre os dois foi complicada, porém conseguiram se entender para estabelecer as bases da música para o filme. Morricone acabou compondo uma grande quantidade de material, enfatizando a sensação de isolamento e paranoia exigida pela trama, porém boa parte dela não foi utilizada na montagem final.

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Resenha: 20,000 Leagues Under The Sea – Paul J. Smith (Trilha Sonora)

Música composta e regida por Paul J. Smith
Selo: Disney/Intrada
Catálogo: D001415702
Lançamento: 12/09/2011
Cotação: *****

Na superfície do oceano uma violenta tempestade agita as águas. A câmera, então, submerge para mostrar o imponente submarino em forma de peixe, Náutilus, navegando silenciosamente pelas calmas profundezas. Em contraste com o espetáculo de som e fúria que se desenrola na superfície, aqui o silêncio é quebrado apenas pela “Tocata e Fuga em D Menor” de Bach, tocada pelo Capitão Nemo (James Mason) ao órgão. A lembrança desta cena me acompanha desde a infância, e para mim continua sendo um dos mais fortes exemplos da capacidade que o cinema tem de combinar imagem e música para maravilhar o espectador.

Estou falando aqui, obviamente, de 20.000 Léguas Submarinas (1954), o longa-metragem live-action da Disney que, até hoje, é a melhor adaptação da obra do escritor francês Júlio Verne para as telas. Com uma produção esmerada, o filme foi a estreia na direção de Richard Fleischer, trazendo no elenco, além de Mason como Nemo, Kirk Douglas como o arpoador arruaceiro Ned Land, Paul Lukas como o oceanólogo francês Pierre Aronnax e Peter Lorre como seu assistente Conseil. Apesar da cena descrita na introdução destacar uma composição de música clássica, um dos pontos altos da produção é a trilha sonora incidental de Paul J. Smith, principal compositor da Era Dourada da Disney e que musicou centenas de curta animados, além de desenhos em longa-metragem como Branca de Neve e Os Sete Anões e Pinóquio. Continue lendo

Resenha: Captain America: The First Avenger – Alan Silvestri (Trilha Sonora)

Música composta por Alan Silvestri
Selo: Walt Disney Records
Catálogo: D001387402
Lançamento: 19/07/2011
Cotação: ****

Capitão América: O Primeiro Vingador é o terceiro filme de super-heróis da Marvel a chegar aos cinemas este ano, e o que imediatamente precede o esperado Os Vingadores, do diretor Joss Whedon, que estreia em 2012. Fãs dos filmes de ação e de quadrinhos aguardavam com grande expectativa o longa dirigido por Joe Johnston (O Lobisomem), a mais ambiciosa adaptação do primeiro herói da Marvel – expectativa igualmente partilhada pelos colecionadores de trilhas sonoras, desde que foi anunciado que Alan Silvestri seria o responsável por seu score.

Também tinha expectativas, ainda que moderadas: afinal, se Johnston, o campeão do filme “quase bom”, há tempos nos devia algo realmente empolgante, os últimos trabalhos de Silvestri eram apenas sombras de trilhas memoráveis como De Volta Para o Futuro, O Predador e O Segredo do Abismo. Assim, até por serem moderadas, posso dizer que minhas expectativas foram totalmente satisfeitas, e se tomarmos por parâmetro apenas as adaptações da Marvel mais recentes, a partitura de Silvestri está em pé de igualdade, e sob alguns aspectos, é até superior às que na minha opinião fugiram da mediocridade geral reinante: X-Men: Primeira Classe (Henry Jackman) e Homem de Ferro 2 (John Debney). Continue lendo

Resenha: Harry Potter and The Deathly Hallows Part 2 – Alexandre Desplat (Trilha Sonora)

Música composta e regida por Alexandre Desplat
Selo: WaterTower Music
Catálogo: 39255
Lançamento: 12/07/2011
Cotação: *****

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, seja como filme, seja como trilha sonora, era um dos lançamentos mais aguardados de 2011. Como filme, os milhões de fãs da saga criada por J. K. Rowling esperavam uma conclusão que suplantasse os capítulos anteriores; como trilha sonora, a expectativa era de que o compositor Alexandre Desplat avançasse nas ideias musicais apresentadas no trabalho anterior, de modo que sua partitura fosse um complemento à altura das imagens mais dramáticas e emocionais do longa de David Yates. Felizmente, em ambos os casos, podemos considerar que as expectativas foram na maior parte satisfeitas, sendo que o score que Desplat iniciou a compor já no início de 2011 é superior ao da Parte 1.

Como seria de se esperar, este trabalho possui uma escala maior, mais épica, o que é ressaltado pelas perfeitas orquestrações de Conrad Pope e a impecável interpretação da London Symphony Orchestra. E como que atendendo a apelos, dessa vez Desplat recorre mais frequentemente às imediatamente reconhecíveis notas do tema oficial da franquia, o acalentado “Hedwig’s Theme” de John Williams, empregado de forma exemplar em faixas como “Dragon Flight”, “A New Headmaster”, “In the Chamber of Secrets”, “The Diadem”, “Snape’s Demise” e “Procession”. Continue lendo

Resenha: Being Human – Richard Wells (Trilha Sonora)

Música composta por Richard Wells
Selo: Silva Screen Records
Catálogo: SILCD1346
Lançamento: 07/03/2011
Cotação: ****

Being Human é uma série inglesa da BBC, que já está renovada para mais uma nova temporada devido ao seu sucesso. Há também uma versão americana do Syfy (que também foi renovada após a inglesa), ambas com a mesma trama, que se centra basicamente em um vampiro e um lobisomem que, ao irem morar em um apartamento, descobrem que neste há um fantasma de uma antiga inquilina. A trilha sonora de todas as temporadas é assinada pelo compositor inglês Richard Wells (The Mutant Chronicles), que normalmente compõe para filmes de horror, e que aqui tem o melhor trabalho de sua curta carreira até o momento. São 24 faixas com scores da primeira e segunda temporadas, que mostram talento e dinamismo do compositor que por este trabalho foi indicado ao Bafta de melhor trilha.

A primeira faixa é o tema da série, composto basicamente de piano e violão, apenas com cordas ao fundo, bem dinâmico e inteligente como um tema deve ser. Segue então a faixa “Ancestors” belíssima, marcada por um tema de um violino que remete aos tempos antigos. “Annie’s Theme” é outra faixa de destaque, certamente suave e marcante, principalmente pela junção do violão ao acordeon que cria um clima mais leve. Já “A Wonderful Thing” é belíssima, super clássica e bem composta, com uma melodia romântica e nostálgica, formada basicamente por cordas que brilham em perfeita harmonia. Já “Box Tunnel Massacre” é o contrário: misturando elementos eletrônicos aos clássicos, essa faixa é puro terror e medo, seguindo bem as regras das trilhas dos filmes de horror, onde momentos de suspense se seguem por cordas agudas ao extremo. Continue lendo

Resenha: X-Men – First Class – Henry Jackman (Trilha Sonora)

Música composta por Henry Jackman
Selo: Sony Masterworks
Catálogo: SK8697923202
Lançamento: 28/06/2011
Cotação: ***½

Pensem o que quiserem de Hans Zimmer, mas inegavelmente o alemão é o mais influente compositor de cinema na atualidade. Esse status foi atingido, senão pelo virtuosismo do compositor, principalmente por dois fatores: a extrema eficácia de seus scores nos filmes e o lançamento no mercado de vários colaboradores que, após iniciarem suas carreiras em sua equipe, partiram para projetos solo que via de regra trazem neles embutido o “Zimmer Sound”. É o caso de Henry Jackman, que possui background similar ao de Zimmer (tecladista de origem pop) e cujo trabalho individual começou a ser notado em Kick-Ass – Quebrando Tudo, não por acaso o filme anterior do diretor de X-Men – Primeira Classe, Matthew Vaughn.

A música na franquia X-Men é eclética, já que cada um dos seus cinco filmes até agora lançados (aí incluída a aventura solo de Wolverine) teve scores escritos por diferentes compositores. Dentre todos os meus preferidos são X-Men 2 e X-Men 3, respectivamente de John Ottman e John Powell, nos quais os compositores escreveram temas principais chamativos. Já a trilha sonora original de X-Men: First Class, como ouvida no filme, pouco se sobressai, contudo em disco as coisas mudam sensivelmente para melhor. Continue lendo

Resenha: Thor – Patrick Doyle (Trilha Sonora)

Música composta por Patrick Doyle
Selo: Buena Vista Records
Catálogo: D001365602
Lançamento: 03/05/2011
Cotação: ****

Muitos dos scores de hoje para filmes de super-heróis simplesmente erram o alvo. Raramente somos presenteados nessa arena com trabalhos de natureza substancial, já que essas trilhas sonoras são tipicamente serviçais mas falham em atingir a grandeza. Elaborar uma trilha de super-herói como se ela fosse de um filme de ação comum é um grande erro, que afasta o que poderia tornar esses projetos especiais. Com Thor, tenho de dar crédito a Patrick Doyle por pelo menos ter tentado dar ao gênero o que ele merece.

A primeira coisa que capturou minha atenção já desde o início foi o estabelecimento de um adequado tema principal para este herói e seu ambiente. Eu quase me belisquei. Há muitos anos não chegava um score de super-herói com um tema principal respeitável, e aqui finalmente temos um para cantarolarmos. De fato, esta é a primeira vez em muito tempo que reprisei na minha cabeça um tema após tê-lo ouvido em uma trilha sonora. Palmas para Doyle, este me pegou. Continue lendo

Resenha: Source Code – Chris Bacon (Trilha Sonora)

Música composta por Chris Bacon
Selo: Lakeshore Records
Catálogo: LKS 342152
Lançamento: 29/03/2011
Cotação***½

Source Code (no Brasil, Contra o Tempo) é o segundo longa-metragem do jovem diretor Duncan Jones, filho do astro pop David Bowie. Duncan estreou com o independente e elogiadíssimo – mas pouco visto – Lunar (Moon), uma ficção científica intimista que contou com uma interessante e, até certo ponto, atípica, trilha incidental de Clint Mansell.

Em seu segundo longa, e o primeiro para um grande estúdio, Duncan optou por uma abordagem musical mais tradicional, e optou pelo compositor Chris Bacon para encarregar-se do score de seu novo filme. Bacon é colaborador de longa data e discípulo de James Newton Howard, para quem vem atuando como arranjador, orquestrador e mesmo compositor de músicas adicionais. Inclusive, recentemente Bacon dividiu com Howard os créditos da simpática trilha da animação Gnomeu & Julieta. Continue lendo

Resenha: Doctor Who Series 5 – Murray Gold (Trilha Sonora)

Música composta por Murray Gold, regida por Ben Foster
Selo: Silva Screen
Catálogo: SILCD1345
Lançamento: 08/11/2010
Cotação: ****½

A longeva série britânica Doctor Who, exceto por seu famoso tema eletrônico composto por Ron Grainer, nunca foi, musicalmente falando, especialmente memorável. Mas isto mudou com a estreia da sua nova fase em 2005, supervisionada por Russell T. Davies e com  o compositor Murray Gold se encarregando de dar uma nova roupagem ao tema de Grainer e criar os scores para cada episódio. E tanto mudou que a música da série acabou tendo destaque em dois bem sucedidos concertos da BBC, o último realizado em 2010.

O fato é que a voz musical de Murray tornou-se indissociável dessa nova fase do programa; por quatro temporadas tanto os personagens principais como os vilões (normalmente integrantes de uma vasta galeria de alienígenas) tiveram temas próprios, e alguns episódios passaram a ser lembrados inclusive por suas trilhas incidentais. Tão competente e popular revelou ser o trabalho de Gold que ele foi um dos poucos membros da equipe que foram mantidos quando Steven Moffat assumiu o posto de Davies, a partir da quinta temporada exibida nos EUA e na Inglaterra em 2010. Continue lendo