Música composta por Howard Shore, The London Philharmonic Orchestra regida pelo compositor
Selo: WaterTower Music
Catálogo: 39373
Lançamento: 11/12/2012
Cotação: *****
Lembro muito bem da estranheza que senti quando soube que o canadense Howard Shore fora escolhido para compor a trilha sonora original de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Afinal, era o tipo de filme cuja temática exigia uma exuberante partitura orquestral, algo que o compositor até então nunca criara. Três filmes e dois Oscars depois, para mim (e creio que para todos os fãs da trilogia do diretor Peter Jackson baseada nos livros de J.R.R. Tolkien), a música épica de Shore ficou tão associada à obra que fica impossível imaginarmos esses filmes sem seu magnífico acompanhamento musical (posteriormente adaptado pelo próprio compositor para concerto).
De forma contrária, quando o projeto de O Hobbit foi anunciado – inicialmente com Jackson apenas na produção e roteiro – o temor era de que outro compositor herdasse a tarefa de criar as trilhas sonoras dos então dois filmes (o projeto foi posteriormente expandido para uma nova trilogia). Mas com Jackson confirmado na direção, o cineasta e o compositor felizmente colocaram de lado o incidente King Kong, e Shore foi convocado já no início das filmagens para criar a música para a nova epopeia da Terra Média, que como o livro no qual se baseia é um prelúdio aos eventos da trilogia O Senhor dos Anéis. Assim, com o mesmo diretor e a maior parte da equipe técnica original, também a integridade musical do novo projeto parecia estar garantida.
Deixe-me explicar melhor essa questão da “integridade musical”: um novo compositor poderia assumir o posto de Shore, pegar alguns de seus temas originais e agregá-los ao próprio material, como aconteceu por exemplo na franquia Harry Potter, na qual John Williams foi sucedido por outros colegas que, em maior ou menor grau, afastaram-se de seus conceitos iniciais a ponto de a própria assinatura musical da série praticamente deixar de ser usada nos scores. Sem falar que, quando empregados, os temas de Williams muitas vezes pareceram deslocados dentro do estilo do compositor da vez. Seria lamentável se isso acontecesse nos filmes de O Hobbit, e a permanência de Shore seria a garantia da continuidade e desenvolvimento de um conceito consagrado. E, finalmente já tendo ouvido à trilha sonora original do primeiro filme que chega às telas mundiais no próximo mês de dezembro, posso respirar aliviado: musicalmente The Hobbit: An Unexpected Journey, atendeu e até mesmo superou minhas expectativas.
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