HÉRCULES e XENA – Unidos Contra o Mal


Os protagonistas de Xena: A Princesa Guerreira e Hércules

O SEMIDEUS
Em tempos mitológicos, bem antes do apogeu da Grécia Antiga e de Roma, os homens viviam sob o jugo de cruéis e volúveis Deuses. Para defendê-los surge Hércules, filho do maior dos deuses, Zeus, e da mortal Alcmene. Sua força sobre-humana é igualada somente por sua bondade e justiça. Em suas jornadas ele combate mortais, deuses e aterrorizantes seres, a quem derrota não somente com sua força, mas também com coragem e raciocínio. Entre seus inimigos está sua própria madrasta Hera, Rainha dos Deuses, que o vê como uma constante e viva lembrança da infidelidade de Zeus.

Esta era a premissa básica de Hércules (Hercules: The Legendary Journeys, 1995-1999), série com Kevin Sorbo no papel título. A partir de cinco longa metragens do projeto Action Pack da Universal, que chegaram a ser lançados em vídeo no Brasil, na época do VHS, a série produzida por Sam Raimi (Darkman, trilogia Evil Dead, Trilogia Homem-Aranha) e Robert Tapert (O Alvo, Timecop) foi lançada pela MCA TV em Janeiro 1995, e em pouco tempo já estava disputando os primeiros lugares de audiência com Arquivo X e Plantão Médico. Nos longas, Hércules era frequentemente aconselhado por seu pai, Zeus (Anthony Quinn), e retornava de suas aventuras para sua família - a bela esposa Deianeira (Tawny Kitaen), que conhecera em Hércules e o Círculo de Fogo, e seus três filhos.

Hércules em ação

Já na série semanal, após ter sua família destruída por Hera, o herói parte para viver suas aventuras em muitas terras distantes. Sam Raimi nunca escondeu sua paixão pelos filmes de aventura e fantasia com efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen, e em Hércules sua equipe procurou recriar o clima daquelas antigas produções, com toques de humor e um visual adaptado às produções mais atuais. A cada semana, os roteiristas colocavam o herói, muitas vezes acompanhado pelo audacioso Iolaus (Michael Hurst) ou pelo acovardado Salmoneus (Robert Trebor), frente a formidáveis inimigos que, muitas vezes, incluiam seus próprios irmãos deuses, como Ares (o falecido Kevin Smith), além de uma grande variedade de criaturas fantásticas.

Monstros e demônios eram criados através de efeitos visuais em CGI (hoje risíveis, mas então de vanguarda para a TV) supervisionados por Kevin O’Neill, que posteriormente trabalhou em Jurassic Park, além de efeitos de maquiagem. A música, convenientemente épica, era composta por Joseph LoDuca, colaborador habitual de Raimi. A fim de reduzir custos, a série era totalmente rodada nos arredores de Auckland, Nova Zelândia, e seu visual foi propositalmente afastado do padrão dos antigos filmes mitológicos: nela dificilmente víamos deuses de robe, ou gregos vestindo togas impecáveis. Os mortais normalmente eram pobres e sujos, enquanto deuses e guerreiros assemelhavam-se mais àqueles vistos em filmes como Conan, O Bárbaro.

Mas talvez a maior mudança tenha ocorrido no próprio personagem título. Ao contrário de suas encarnações anteriores, Hércules não era um super-homem: ele podia se ferir, sangrar, e mesmo assim não hesitava em arriscar sua vida pelos outros. Preferindo resolver os problemas através da paz, usava a força e a violência apenas quando necessárias para vencer o mal. Hércules conquistou espectadores e críticos com sua bem sucedida mistura de elementos então raros na TV – elenco competente, muita ação, efeitos especiais avançados para a época, roteiros imaginativos e um senso de humor que surgia nas horas certas. Mas a qualidade foi decaindo ao longo do programa, devido a tramas progressivamente mais infantis e ao excesso de comédia. Em suas temporadas finais surgiram alguns arcos interessantes envolvendo outras mitologias, como a nórdica, mas isso não evitou que a série se encerrasse após uma sexta temporada de apenas oito episódios.

Kevin Sorbo posteriormente tentaria fazer carreira no cinema com Kull, O Conquistador (baseado em Robert E. Howard, criador de Conan), mas o fracasso do filme o fez voltar à TV, onde interpretou o Capitão Dylan Hunt na série de ficção científica Andromeda. Após seu final, o ator ficou relegado a produções feitas diretamente para vídeo ou TV a cabo, e raras participações em filmes ruins como Espartalhões.

Ryan Gosling como o jovem Hércules

Ryan Gosling como o jovem Hércules

Hércules deu origem a duas séries derivadas, igualmente rodadas na Nova Zelândia: a primeira, como veremos abaixo, a superou em sucesso e qualidade; a segunda, O Jovem Hércules, que teve apenas uma temporada em 1998-1999 com 50 episódios de 30 minutos, surgiu após a boa recepção de episódios narrados em flashback mostrando a juventude do herói e de seus amigos Iolaus e Jasão. O jovem Hércules foi interpretado por ninguém menos que Ryan Gosling, então com 17 anos e hoje um astro em ascensão de Hollywood.

A PRINCESA GUERREIRA
Foi em uma popular trilogia de episódios do primeiro ano de Hércules que surgiu a intrépida guerreira Xena (Lucy Lawless). No episódio “A Princesa Guerreira”, ela, em sua sede de conquista, tenta eliminar o herói jogando contra ele seu melhor amigo, Iolaus. Seu plano obviamente falha, e alguns episódios depois, ao rebelar-se contra a matança indiscriminada provocada pelo comandante do seu exército, é traída pelos próprios guerreiros e passa por uma radical transformação. Finalmente, no episódio “Unidos Contra o Mal”, Xena reconcilia-se com Hércules e os dois, juntamente com Iolaus e Salmoneus, derrotam seu antigo exército. Mesmo apaixonada pelo filho de Zeus, ela o deixa, partindo não mais para conquistar, mas sim para reparar o mal que fizera.

Gabrielle e Xena, amigas inseparáveis

A repercussão da personagem foi tão grande que, no mesmo ano em que Hércules entrava em sua segunda temporada, Raimi e Tapert lançaram a série derivada Xena: A Princesa Guerreira (Xena: Warrior Princess, 1995-2001), filmada com praticamente a mesma equipe de Hércules e igualmente repleta de ação e efeitos especiais. Cercada por inimigos, tribos de bárbaros, mercadores de escravos e uma legião de outros inimigos, a bela guerreira tinha por missão, a cada capítulo, redimir-se de seu passado sangrento, ajudando as pessoas a se libertarem da tirania e da injustiça.

A série inicia onde o episódio de Hércules terminara: Xena retorna à sua terra natal, para defendê-la de um antigo guerreiro aliado, Draco. No caminho, enfrenta um cíclope e conhece aquela que seria sua companheira de aventuras, Gabrielle (Renee O’Connor). Após derrotar Draco em uma espetacular batalha e conseguir o perdão de sua mãe, Xena parte mais uma vez, e em companhia de Gabrielle, continua sua luta contra as forças do mal. Com a progressão do programa, através de flashbacks foi criado um rico passado para a personagem, no período que antecedeu seu encontro com Hércules.

Apesar de ter muitos episódios bem-humorados, Xena era uma série mais adulta, violenta e sexy que Hércules. Aliás, a princesa guerreira tornou-se até um ícone lésbico por causa do seu relacionamento com sua companheira de aventuras Gabrielle. Em suas temporadas finais, a dupla aventurou-se fora da Grécia, visitando reinos distantes como a China, o Japão e o Egito, dando oportunidade para que os roteiristas, a exemplo do que também foi feito em Hércules, explorassem outras mitologias e religiões além da grega.

As incríveis habilidades de combate de Xena eram constantemente postas à prova. Para derrotar seus inimigos ela usava estratégia, artes marciais, sua espada, o “chakram” (uma afiada arma em forma de disco que lançava contra os inimigos) e eventualmente até poderes místicos adquiridos em suas viagens pelo Oriente. Com o “Toque de Xena”, uma pressão feita com os dois dedos em determinados pontos do pescoço, ela extraía informações de seus prisioneiros.

Lucy Lawless é nativa da própria Nova Zelândia, e já participara de Hércules no papel de Lyla, a corajosa esposa humana do centauro Deric. Anteriormente ela interpretara a ameaçadora amazona Lysia no primeiro longa do Action Pack, Hércules e as Amazonas. A grande chance de Lucy surgiu quando a atriz originalmente escalada para ser Xena (Vanessa Angel, da versão de Mulher Nota Mil para a TV) adoeceu. Os produtores, reconhecendo o potencial de Lawless através de suas participações anteriores em Hércules, contrataram-na para o papel.

Hércules e Xena em pleno “crossover”

Durante a produção Lawless, que também é cantora e até participou da trilha de Xena, casou-se com Robert Tappert e, após o encerramento do programa retornou como a cilônia D’Anna Biers, personagem recorrente do remake Battlestar Galactica (2003), e mais recentemente como Lucretia em Spartacus (2010), série de sucesso também produzida por Raimi e Tapert e rodada na Nova Zelândia.

Hércules e Xena estrearam no Brasil em 1996 no SBT, e posteriormente foram exibidas no canal pago USA (posteriormente Universal). Nunca foram lançadas integralmente em DVD por aqui, mas por um tempo o Netflix ofereceu as duas séries completas, com opções de áudio em inglês e português e legendas em português. Hoje apenas Xena, que também é reprisada pelo canal pago Syfy, permanece no catálogo.

Jorge Saldanha

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