Resenha: Stargate Universe: 2×09 – Visitation


[SPOILERS] Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.” Já o dizia Arthur C. Clarke há uns bons anos atrás. Tendo em conta a história passada do universo “Stargate”, não seria logo de desconfiar de todas estas conversas sobre religião? Ou será que se esquece assim tão facilmente o passado recente?

Não obstante ter sido um episódio interessante, bom na forma como permitiu fechar histórias passadas e escrito de tal forma que nos deixa em suspense pelo desvendar do grande mistério – ou não fosse ele escrito por um nosso conhecido amigo da ficção científica, Remi Aubuchon -, a verdade é que “Visitation” surge algo desenquadrado neste ponto da história, tendo em conta os trágicos eventos a que assistimos em “Malice” e mesmo antes do fechar da primeira metade da temporada. Tivesse aparecido há uns tempos atrás, como adenda à história da invasão da Destiny e de todas as perdas sofridas, especialmente a de TJ (Alaina Huffmann) e poderia ter tido um impacto maior. Afinal, não só era importante resolver a questão do bebé que ora está morto, ou não está (e por todos os deuses de Kobol, será pedir muito que se enterre de uma vez por todas esta história?!), mas permitia também regressar à trama dos membros da tripulação que resolveram ficar para trás, no planeta a que chamaram Éden (e que, afinal, tudo era menos isso) e à história da tal raça que criou o planeta e o misterioso obelisco que ninguém, na altura, se lembrou de investigar. Mas não… adiou-se, adiou-se, e cai-nos assim de pára-quedas, tal qual o vaivém que aparece do nada, esta história no meio da ressaca das mortes sofridas. E o que poderia ter sido uma excelente pausa na história, permitindo-nos reflectir sobre os desejos e a realidade, acaba por revelar-se nada mais do que um apagar das luzes para personagens que pouco conhecemos e que nunca fizeram, realmente, falta.

Mas voltemos ao início: após mais uma paragem da Destiny, a surpresa: o vaivém estragado que ficou num planeta remoto junto dos que resolveram abandonar a tripulação, aparece misteriosamente do nada. A bordo, nada mais nada menos do que os colonos que se recusaram a abandonar o paraíso, igualmente confusos sobre o que se passou e sem qualquer memória que possa ajudar a elucidar a história. Cauteloso, Young (Louis Ferreira) aceita recebe-los de novo na Destiny mas apenas se confinados a uma secção remota, até se descobrir o que aconteceu. Coisa que, infelizmente, parece difícil de fazer, e que deixa a restante tripulação receosa. Até, é claro, o inevitável: um nariz a sangrar, que se transforma num mar de sangue, e a primeira vítima da história está encontrada. Daí até ao final, até à grande revelação – de que todos estavam mortos, tinham perecido no planeta remoto, um por um, até ficar apenas, no final, Caine (Tygh Runyan), abandonado à sua própria sorte e forçado a experienciar os seus últimos momentos de vida sem ninguém para o apoiar – é um instante. E se as mortes não nos causaram grande impacto – afinal, quem é que ainda se lembrava verdadeiramente deles?! – pelo menos o desfecho, em que Caine aceita o seu inevitável destino mas pede, desta vez, para não ficar sozinho nos momentos que lhe restam, foi uma das melhores cenas de todo o episódio.

Se por um lado este foi o episódio de fechar histórias passadas, já para Chloe (Elyse Levesque) o final ainda não chegou, mas promete estar próximo. Ainda presa no seu quarto, longe de quase tudo e de todos, este é o momento ideal para aceitar, também ela, o seu destino, e aproveitar para fazer aquilo que muitos outros, infelizmente, não conseguiram – despedir-se daqueles a quem quer bem. O seu “romance épico” com Scott (Brian J Smith) nunca convenceu, e muito menos a forma como, na sua despedida a Eli (David Blue), o trata como o grande irmão e amigo que nunca foi. Não, o que verdadeiramente nos convence em toda esta história, não são as declarações sentidas de uma personagem que nunca saiu do mesmo registo, mas sim mais uma vez a cena em que Greer (Jamil Walker Smith) se revela como algo mais do que o estereótipo a que parecia estar confinado de início, e pede perdão a Chloe pelo que irá ter de fazer em breve. Não há dúvidas de que Greer tem crescido a olhos vistos, e que se for para continuar assim, vale a pena seguir com atenção os próximos capítulos desta história que começou mal – muito mal – mas que tem vindo a melhorar com cada capítulo que passa.

Syrin
Via [TVDependente]

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Um comentário sobre “Resenha: Stargate Universe: 2×09 – Visitation

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