Resenha: Distrito 9 (Blu-ray)


Título Original: District 9
Produção: 2009
Duração: 112 min.
Direção: Neill Blomkamp
Elenco: Sharlto Copley, David James, Jason Cope, Mandla Gaduka
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.85:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês, Português (DTS-HD Master Audio 5.1), Espanhol, Russo, Ucraniano (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Chinês, Estoniano, Coreano, Lituano
Região: A, B, C
Distribuidora: Sony
Discos: 1
Lançamento: 10/02/2010
Cotações: Som: ***** Imagem: ***** Filme: ****½ Extras & Menus: ****½ Geral: ****½

SINOPSE
O filme do produtor Peter Jackson e do diretor Neill Blomkamp nos mostra, com excelentes efeitos especiais e realismo impactante, um mundo no qual os alienígenas aterrissaram, mas acabaram exilados em uma favela nos limites de Joanesburgo, na África do Sul. Depois de tomar conhecimento do misterioso segredo da tecnologia bélica extraterrestre, um solitário humano (Sharlto Copley) passa a ser caçado pelas imundas vielas da favela alienígena e descobre o que significa ser um completo estranho em seu próprio planeta. 

COMENTÁRIOS
DISTRITO 9, uma das grandes surpresas cinematográficas de 2009, teve um baixo orçamento para um filme do gênero – custou 30 milhões de dólares e arrecadou esta quantia apenas no seu fim de semana de estreia. Beneficiado por críticas e propaganda boca a boca mais do que positivas, o longa tornou-se um sucesso artístico e comercial, obtendo três indicações ao Oscar 2010: Filme, Roteiro Adaptado e Montagem. Sem dúvida, conquistas que o neozelandês Peter Jackson (trilogia O SENHOR DOS ANÉIS) e o jovem sul-africano Neill Blomkamp não imaginavam obter quando, após o projeto no qual trabalhavam – a adaptação para o cinema do game HALO – afundou e Jackson resolveu bancar um filme baseado no curta-metragem que Blomkamp co-escreveu e dirigiu em 2005, ALIVE IN JOBURG. O resultado foi este que é um dos filmes de ficção científica mais originais dos últimos anos. 

Bem, o ponto de partida conceitual de DISTRITO 9 nem é tão original assim: trata do primeiro contato da humanidade com extraterrestres, que chegam à Terra aparentemente sem meios de retornar para seu mundo e acabam tendo de coexistir com a humanidade, como no filme MISSÃO ALIEN (1988). O que é original é a forma com que este argumento foi desenvolvido e mostrado ao espectador, fazendo referência direta a aspectos históricos e políticos da segregação racial que por décadas imperou na África do Sul, o que ganha força adicional pelo fato de o filme se passar em Joanesburgo e ser dirigido por um sul-africano. Boa parte do longa adota um estilo de falso documentário, e assim descobrimos, através de depoimentos “reais”, que a nave mãe dos ETs surgiu sobre Joanesburgo nos anos 1980, com seus tripulantes em péssimas condições de saúde. Como imigrantes ilegais, as criaturas foram confinadas na favela miserável chamada Distrito 9, onde vivem em condições precárias e são explorados por criminosos nigerianos. 

Vinte anos depois o espectador acompanha Wikus Van De Merwe (Copley), funcionário da empresa MNU (Multi-Nacional Unida) que comanda uma operação de transferência dos alienígenas da favela onde moram para um novo assentamento. Mas as coisas acabam muito mal para Wikus, que é contaminado por uma substância extraterrestre e começa a se transformar em um dos “camarões” (como os ETs são pejorativamente chamados pelos humanos). Caçado pela MNU, ele se torna a chave para que os avançados armamentos alienígenas possam ser utilizados pelos humanos, já que eles são ativados pelo DNA dos “camarões”. Desesperado, Wikus conhece o alien Christopher Johnson e seu filho, que tem um plano para retornar à nave-mãe e fazê-la funcionar novamente. 

Além dos seus méritos narrativos, DISTRITO 9 é um filme tecnicamente impecável que parece ter custado muito mais do que 30 milhões de dólares. Rodado com a nova câmera de ultra definição (4K) “Red One”, possui uma imagem excelente, que coloca você bem no meio do ensolarado e estranho ambiente do Distrito 9. Aliás, a altíssima definição da imagem poderia trazer problemas para a criação de imagens realistas em computação gráfica, essenciais para a trama. Mas felizmente, graças à participação de Peter Jackson e à experiência do diretor com CGI, os efeitos visuais são estupendos – não espere aqui um deslumbre visual como o de AVATAR, mas alienígenas, a nave-mãe pairando sobre Joanesburgo, armamentos, mortes sangrentas, tudo é mostrado na tela com um fotorrealismo de cair o queixo. Não fosse o fato de estarmos vendo coisas literalmente de outro mundo, poderíamos jurar que elas foram filmadas em locação, juntamente com os atores. 

DISTRITO 9 é um filme inteligente, provocante, com segmentos que não ficam nada a dever aos melhores filmes de ação de Hollywood. Se você o perdeu quando foi exibido nos cinemas, não deixe passar a oportunidade de vê-lo agora em casa, especialmente na alta definição do Blu-ray. 

SOBRE O BD
DISTRITO 9 chega ao mercado nacional em mais um Blu-ray de destaque da Sony. Originalmente autorado para o mercado europeu, além de trazer ótimos extras todos legendados em português do Brasil, nosso BD-50 (dupla camada) é tecnicamente primoroso. O capricho começa já no carregamento dos menus animados (também em português), onde você tem de optar pelo ícone “humano” ou “alienígena”. De acordo com a escolha, temos visuais diferentes nos menus. Como já mencionado, o filme foi rodado em alta definição de última geração, o que se reflete na espetacular imagem proporcionada na transferência anamórfica 1080p/AVC MPEG-4 na proporção original de tela 1.85:1, que roda estável em elevado bitrate. Há que se referir que o filme utiliza imagens de telejornais e entrevistas, e nesses casos elas são propositadamente degradadas para obterem o senso documental pretendido. Já nos trechos mais tradicionalmente cinematográficos, chama a atenção os excelentes contraste e nível de preto, que ajudam a destacar o alto nível de detalhe da imagem, especialmente em closes. Os efeitos CGI dos aliens e suas máquinas são mostrados de forma muito realista, à altura de grandes produções bem mais caras como TRANSFORMERS. As cores são vibrantes e firmes, nesta bela transferência HD que pode ser considerada de referência.

 A qualidade do áudio do Blu-ray está à altura da parte visual. Temos mixagens Dolby Digital 5.1 nos idiomas espanhol, russo e ucraniano, mas são as faixas lossless  DTS-HD 5.1 Master Audio em inglês e português que irão desafiar seu home theater. O áudio cria uma boa ambientação na parte mais documental que corresponde, aproximadamente, aos primeiros 40 minutos do filme. Os diálogos sempre soam límpidos, dispensando os comuns ajustes de volume no canal central. E quando chegamos às sequências de ação dos dois terços finais, os graves maciços vindos do subwoofer o atingirão em cheio. Os canais surround, que até então eram discretos e ambientais, passam a ser empregados de forma intensa. A exemplo do vídeo, também o áudio sem perdas de DISTRITO 9 merece ser classificado como material de demonstração. 

EXTRAS
Se o Blu-ray de DISTRITO 9, na parte técnica, é excelente, também no que toca a extras merece elogios. Em relação ao BD norte-americano perdemos a cópia digital do filme (que para mim, reafirmo, é dispensável) e um demo do jogo GOD OF WAR 3 para Playstation 3 (que seria de interesse para quem tem o console da Sony), porém o que realmente interessa permaneceu. E tudo está em alta definição (HD) e exceto pelos trailers, com legendas em português – inclusive os comentários em áudio. Uma pena que, provavelmente devido a questões de direitos de distribuição, o curta de seis minutos ALIVE IN JOBURG, que foi a origem do longa-metragem, não foi incluído no material suplementar (mas você pode assistí-lo AQUI).

  • BD-Live – Para quem possui um reprodutor atualizado para o “Profile 2.0”, este BD possui conectividade BD-Live, que inclusive oferece recursos como MovieIQ (informações sobre elenco, produção, etc.) e CineChat (bate-papo online); 
  • Comentários do Diretor e Co-Autor Neill Blomkamp – O filme pode ser acompanhado por esta ótima faixa de comentários que, fato incomum, foi gravada antes mesmo da estreia do filme nos cinemas. Nela Blomkamp conversa sobre uma grande variedade de tópicos – seu relacionamento com o ator Sharlto Copley (Wikus), a conexão de DISTRITO 9 com ALIVE IN JOBURG, os efeitos visuais, os paralelos do filme com a situação da África do Sul, filmagens em locação, a contribuição de Peter Jackson, os alienígenas, as cenas de ação, e muito mais. Até por estar legendado em português, é um extra obrigatório; 
  • Joanesburgo Vista de Cima: Imagens de Satélite e Mapas de Distrito 9 – Este mapa interativo, conforme os locais selecionados via controle remoto, dá acesso a informações sobre os alienígenas, sua tecnologia, etc.; 
  • Cenas Excluídas (23:28min.) – Temos aqui várias (algumas bem interessantes) cenas que ficaram de fora da montagem final, que podem ser assistidas isoladamente ou em sequência. Parte delas são dos momentos documentais do filme, o que significa que, mesmo em alta definição, não têm qualidade tão alta, já que foram registradas em câmera de alta definição comum; 
  • A Agenda Alienígena: Diário do Cineasta (34:19min.) – Dividido em capítulos, que podem ser assistidos separadamente ou em conjunto, este extra pode ser considerado o making of do filme. Ele nos fornece uma visão geral do projeto desde seu início, trazendo bons depoimentos de Peter Jackson, Neill Blomkamp e outros membros da equipe e elenco; 
  • Metamorfose – A Transformação de Wikus (9:52min.) – Featurette dedicado à progressiva transformação do personagem Wikus em alienígena. Por ter sido um processo totalmente feito on camera, como no clássico kafkiano A MOSCA, de David Cronenberg, vemos o ator Sharlto Copley passar por longas e desconfortáveis sessões de maquiagem e aplicação de próteses; 
  • Inovação: A Atuação dos Atores e Improvisações em Distrito 9 (12:05min.) – Aborda o emprego de improvisações e do estilo documental que vemos em várias partes do filme; 
  • Concepção e Design: Criação do Mundo de Distrito 9 – (13:18min) – Aqui são abordados os efeitos práticos (não-CGI) do filme, criação de armas e objetos de cena, desenhos conceituais, etc.; 
  • Geração Alienígena: Efeitos Visuais em Distrito 9 (10:18min.) – Já este é dedicado aos efeitos criados em computador, que são excelentes considerado o orçamento limitado do filme. Vemos os processos de captura de movimento, iluminação, atuação dos atores com personagens que seriam adicionados posteriormente, animação, e muito mais. Apesar de curto, é um dos melhores extras em sua categoria; 
  • Trailers – Trailers de outros lançamentos da Sony em Blu-ray. 

Jorge Saldanha

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20 comentários sobre “Resenha: Distrito 9 (Blu-ray)

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