Os Mundos Fantásticos de Irwin Allen


Irwin Allen no set de Viagem ao Fundo do Mar

Irwin Allen no set de Viagem ao Fundo do Mar

O legado do famoso produtor e diretor Irwin Allen (1916-1991) inclui um documentário premiado com o Oscar (The Sea Around Us, 1953), grandes produções para o cinema (incluindo os também oscarizados O Destino do Poseidon, 1972, e Inferno na Torre, 1974), e principalmente, pelo menos para os fãs de ficção científica que cresceram nos anos 1960, o quarteto de fantásticas séries Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes. Apesar de não serem tão populares quanto a obra de Gene Roddenberry (Jornada nas Estrelas), as realizações de Allen, após seu falecimento, voltaram à mídia principalmente a partir do lançamento de Perdidos no Espaço, O Filme, em 1998. No rastro do filme, a série original foi lançada em VHS nos EUA e, mais recentemente, em DVD – inclusive no Brasil. Infelizmente as demais séries existem em DVD apenas nos EUA, e não há previsão de seu lançamento no Brasil. Já no século 21 foram produzidos pilotos para novas séries baseadas em Perdidos no Espaço e Túnel do Tempo, mas elas não foram aprovadas. Talvez o produto póstumo mais relevante em relação a Irwin Allen tenha sido o documentário realizado pela Fox e o Sci Fi Channell em 1995, The Fantasy Worlds of Irwin Allen, que deu origem a um ótimo DVD e a uma preciosa caixa com CDs de trilhas sonoras.

irwinTHE FANTASY WORLDS OF IRWIN ALLEN
Em 1995, mais de três décadas após o início das aventuras televisivas de Allen, Kevin Burns produziu e dirigiu para a Fox e o Sci Fi Channell The Fantasy Worlds Of Irwin Allen, um documentário em homenagem a uma das mais produtivas e criativas mentes de Hollywood. Para a realização do especial, Burns e seus auxiliares, com o aval da viúva Sheila Mathews Allen, iniciou uma verdadeira “escavação arqueológica” nos estúdios, que resultou na redescoberta de fotos, cenas de bastidores e de efeitos especiais, sons, trailers, miniaturas e pedaços de cenários, que foram utilizados no programa. Uma das descobertas mais valiosas desta pesquisa foram rolos de fitas originais em 35mm, intactos e contendo temas e trilhas originais dos famosos seriados, que originaram uma caixa com seis CDs lançados pela gravadora GNP Crescendo.

Para os fãs, o documentário apresentado por June Lockhart e Bill Mumy (Maureen e Will Robinson de Perdidos no Espaço), em um cenário reproduzindo o exterior da nave Júpiter 2, forneceu a chance de ver cenas inéditas de filmes e séries, e depoimentos de vários atores, colaboradores e amigos de Allen. Por exemplo, Jonathan Harris falou sobre como obteve a autorização de Allen para criar a personalidade bufona de seu inesquecível Dr. Smith, e David Hedison (Capitão Lee Crane) comentou a popularidade de Viagem ao Fundo do Mar e seu relacionamento com o produtor/diretor e seus colegas de elenco. Do mesmo modo, tivemos Mark Goddard, Marta Kristen, James Darren, Robert Colbert, Whit Bissel, Lee Meriwether, Gary Conway, Don Matheson, Deanna Lund falando sobre momentos de suas respectivas séries e sobre a carreira de Irwin Allen. O DVD do documentário, também lançado paenas nos EUA, trouxe como extras cenas dos bastidores das gravações do especial, três interessantes curta-metragens, utilizando cenas de arquivo e cenários pintados, feitos para vender os projetos de Terra de Gigantes, Cidade sob o Mar (com Glen Corbett, Lloyd Bochner e o então novato James Brolin, que acabou dando origem a apenas um telefilme, com outro elenco), The Man from The 25th Century (com James Darren, de Túnel do Tempo, que acabou não sendo aprovado), um featurette publicitário para a apresentação de Inferno na Torre e outros filmes de Allen, além de cenas dos bastidores da criação dos efeitos visuais com miniaturas.

AllenCom base no material utilizado no documentário, a gravadora GNP Crescendo lançou uma imperdível caixa com seis CDs, cinco deles com os temas e trilhas de alguns dos melhores episódios de Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes. Os dois primeiros discos são dedicados a Perdidos no Espaço e contém os temas do primeiro e terceiro anos do seriado, bem como as trilhas dos episódios “O Clandestino Teimoso”, “Ilha no Céu”, “Mar Revolto” (todos de John Williams), “A Dama Verde” e “A Revolta dos Vegetais” (Alexander Courage), e “O Incrível Zaybo” (Mullendore). No terceiro, ouvimos o tema de Viagem ao Fundo do Mar e a trilha do piloto da série, “11 Dias a Zero” (Paul Sawtell), mais a música composta para o episódio “Jonas e a Baleia” (Jerry Goldsmith). No quarto disco, ouvimos o tema de Túnel do Tempo e a música de seu piloto, “Volta ao Passado” (John Williams), e do episódio “O Mercador da Morte” (George Duning). O quinto CD é dedicado a Terra de Gigantes, e nos oferece os temas da primeira e segunda temporadas e a trilha do episódio piloto, “The Crash” (todos por John Williams). Como curiosidade, o CD também contém um tema e uma trilha compostos para o piloto da série por Alexander Courage, mas rejeitados por Irwin Allen.

Finalmente, o sexto CD é um bônus, com temas, entrevistas com os atores e efeitos sonoros. Estas gravações originais foram disponibilizadas em som mono muito bom, e a música em si, apesar de não possuir o desenvolvimento temático próprio das trilhas de cinema, é clássica. Até pela ausência de alguns excelentes scores que Alexander Courage compôs para “Viagem”, os verdadeiros astros aqui são John Williams e Jerry Goldsmith, que demonstram porque tornaram-se os principais compositores de trilhas sonoras da atualidade. A música de Williams para “Lost in Space” e “Land of The Giants”, apesar das limitações orçamentárias, se iguala a alguns de seus trabalhos subseqüentes para o cinema. Já o trabalho de Goldsmith para “Voyage to The Bottom of The Sea” mostra sua predileção pelo suspense e o uso de metais em suas notas mais altas, em uma amostra do que ele desenvolveria na tela grande.

Porém, muito do material coletado por Kevin Burns para The Fantasy Worlds of Irwin Allen ficou de fora do especial. Em 1998 foi lançado o filme de Perdidos no Espaço, e com ele o interesse sobre a antiga série de TV ressurgiu. Burns então teve a chance de produzir um novo especial, desta vez exclusivo sobre Lost in Space e com grande parte do material anteriormente não utilizado. Em um fielmente reconstruído cenário do interior do Júpiter 2, o documentário foi apresentado por John Larroquette (escolha estranha, já que a única conexão de Larroquete com a ficção-científica foi a sua interpretação de um klingon em Jornada nas Estrelas III) e o Robô. Nele temos a detalhada história das origens da série, cenas do piloto (nunca exibido em sua forma original), fotos exclusivas, entrevistas com atores da série e do filme e o teste de Guy Williams (de cabelos grisalhos!) para o papel do Professor John Robinson. Mas o grande momento do especial (pelo menos para os fãs mais fanáticos) estava no final, quando Jonathan Harris (Dr. Smith) e Bill Mumy (Will Robinson), vestindo os trajes da série de TV, e o Robô, interpretaram o pequeno esquete “A Shift in Time” a bordo do Júpiter 2 (veja o vídeo abaixo, em inglês). O DVD deste especial, também inédito aqui, apresenta como extras, separadamente, os bastidores das gravações (a reconstrução do Júpiter 2, as gravações com Harris e Mumy) e muitas cenas sobre as filmagens dos efeitos especiais, criados pelo mestre das miniaturas L.B. Abbott.

Jorge Saldanha

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16 comentários sobre “Os Mundos Fantásticos de Irwin Allen

  1. Realmente Irwin deixou um grande legado, porém meio que desconsiderado pelo publico. A versão telona de Lost in Space, é decepcionante, com um roteiro bastante confuso, e interpretações caricatas. Não foi uma boa homenagem. Porém , quem conhece as séries criadas por Allen, sabe que eram excelentes. Naturalmente, quem assiste agora, acha meio ridicula, pois não consideram que os efeitos especiais, que hoje qualquer um faz em casa, eram feitos de maneira totalmente diferente, podemos dizer até mesmo artezanal. Com truques de camera, miniaturas, etc. Também, é necessário considerar-se que na época o conhecimento cientifico era mais limitado (se observarmos as maquinas “fantasticas” de Perdidos no Espaço, notamos uma total falta de visão do futuro real), mas deixando-se isto de lado, vemos obras feitas com carinho e dedicação. E que foram feitas sempre com uma grande luta contra os orçamentos apertados da época.

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